DEPOIS DO CARNAVAL…

Antonio Gallas
… a vida segue seu fluxo de normalidade. Comércio, bancos, repartições públicas e outros segmentos da sociedade voltam a funcionar nos seus horários habituais até o próximo feriadão que é  o  da Semana Santa, hoje resumida  apenas em dois dias, quando  a  turma que vende  peixe  aproveita (desde o início da quaresma)  para aumentar o  preço do  pescado e outros frutos do mar.  Os políticos (ah!, os políticos!) tão  desacreditados pela  sociedade brasileira também retornam às suas atividades. Os prefeitos retornam aos seus gabinetes (bem poucos cumprem expedientes nas prefeituras), os vereadores continuam sua árdua e honrosa missão de concederem títulos de cidadania e os deputados retomam às assembleias dos seus estados onde a seu bel prazer estabelecem aumento em seus salários,  nas ajuda de custo, verba de representação, horas extras e outas vantagens que eles criam, onerando cada vez mais as despesas do governo que são  pagas  por todos  os  cidadãos deste país que pagamos nossos impostos. Na Câmara Federal e no Senado não é diferente. E vejam que estes lugares são chamados de ”casas do povo”, mas o povo que é o povo, este não decide nada.
Mas falando em Congresso, este ano entra na pauta de discussões do Congresso Nacional a tão esperada Reforma Política Brasileira, que, aliás, já vem gerando discussões entre parlamentares de todos os estados. Algumas propostas a serem apresentadas talvez sejam polêmicas e poderão causar muita discussão entre os parlamentares, como é o caso da proposta de ampliar em dois anos o mandato dos atuais prefeitos e vereadores em todo o país. O motivo dessa proposta é acabar com a eleição de dois em dois anos tendo em vista os gastos exorbitantes que são arcados pela nação para promover uma eleição. Assim, se essa proposta for aprovada não haverá eleições em 2016 e sim em 2017 quando serão eleitos presidente, senadores, deputados federais e estaduais, vereadores e prefeitos.
Todavia, há quem defenda que os mandatos dos prefeitos e vereadores eleitos no próximo ano sejam apenas de dois anos. O fato é que essa proposta será tema dos principais debates da reforma política que se pretende implantar no Brasil. É sem sombra de dúvidas uma proposta polêmica, porque, mudar a eleição do próximo ano contraria interesses políticos, como disse o jornalista Marco Aurélio D’Eça em sua coluna  “ Estado Maior” do Jornal ”O Estado  do Maranhão”, edição de 18.02.2015, “ há outros interesses em jogo. Na atual Câmara há diversos deputados interessados nas eleições de 2016 – para si ou para aliados – o que dificultará a aprovação desta proposta de unificação das eleições”.
Além do mais, o fato de prorrogar o mandato dos atuais prefeitos e vereadores por mais dois anos pode se transformar numa faca de dois gumes, ou não. Exemplifico: Para aqueles municípios em que o prefeito tem mostrado trabalho, foi reeleito e recebe a aprovação dos seus munícipes, ele poderá continuar trabalhando ou simplesmente passar esses dois anos sem fazer mais nada. Para aqueles municípios nos quais o prefeito também já foi reeleito, não fez nada no primeiro mandato, continua sem fazer nada no segundo mandato, ele poderá ter ainda dois anos para se redimir diante da população do seu município, isto se ele (o prefeito) tiver 
de eleger seu sucessor. Caso contrário, continuará sem fazer nada.
Outros temas polêmicos certamente deverão surgir nas discussões da Reforma Política Brasileira, e então, seria oportuna e necessária a participação da sociedade brasileira nesse debate, afinal de contas, somos nós, o povo, que os elegemos para serem os nossos representantes, e também, porque a classe política brasileira precisa retomar sua credibilidade diante da nação.

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