Algo tirou Cid do sério

O agora ex-ministro Cid Gomes (PROS) foi jogar para a plateia, querendo ser mais honesto do que o rei e se deu mal. Entra para a história como o primeiro ministro a ser defenestrado do cargo quando discursava da tribuna da Câmara dos Deputados. Discursava não, berrava.
Berrava não, soltava impropérios, dignos de uma republiqueta de bananas. Seu comportamento não surpreendeu ninguém, só os que não conhecem o DNA dos Gomes cearenses, pontilhado pela arrogância e a petulância. Cid vem da escolinha do irmão, o ex-ministro Ciro Gomes.
Para quem não se lembra, candidato à Presidência da República, Ciro inviabilizou-se, perdendo o lugar na briga de segundo turno, atropelado pela língua. Agrediu gratuitamente as mulheres brasileiras insinuando que a sua esposa só cumpria o papel de dormir com ele.
No caso de Cid, ele já chegou à Câmara dos Deputados arrotando poder, para dar explicações sobre as declarações de que a Casa tinha 400 achacadores. Fosse mais inteligente, educado e humilde, teria pedido desculpas perante o plenário e se saído muito bem.
Mas, não. Agrediu de forma virulenta o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apontando, da tribuna, o dedo em direção a ele, para carimbá-lo de achacador. Uma postura lamentável para um homem público, que governou o seu Estado e vinha ocupando uma pasta que devia educar e com o gesto deseducou o País.
É fato que o Congresso está desgastado e vive uma terrível fase, mas as agressões do senhor Cid não atingiram os deputados e sim a instituição, um poder, que tem que ser respeitado e zelado. A impressão que Cid deixou é que não estava dentro da sua normalidade, mas sob o efeito de algo que o tirou do sério.(Magno Martins)

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