Quem não nasceu ontem sabe

Por:ZózimoTavares
De uns dias para cá, quando os brasileiros passaram a cobrar mais incisivamente do governo o cumprimento dos compromissos assumidos em praça pública, eis que começaram fervilhar “cientistas políticos” na imprensa e nas mídias sociais com os chavões na ponta da língua e dos dedos: “a eleição passou”, “o problema é que não aceitam a derrota”, “na democracia um ganha e outro perde”, etc.
Na análise simplória (ou esperta, sim, mais esperta!) desses analistas de conveniência, é como se as manifestações contra o governo realizadas no domingo fossem meros desabafos de derrotados que ainda estão inconformados com o resultado das eleições presidenciais. Que sejam! Ainda assim, são protestos legítimos e plenamente assegurados pelo regime democrático vivido pelo país.
Um refrescol: os críticos dos manifestantes de hoje precisam lembrar que quem mais se rebelou contra os vitoriosos nas urnas sempre foi o PT, o partido que está no poder há 13 anos. Em 1985, a duras penas, Tancredo Neves costurou uma opção civil à Presidência da República, via Colégio Eleitoral, atraindo para seu palanque inclusive a ala dissidente do governo. Os petistas não quiseram se misturar com a oposição e ficaram contra a oposição. Tancredo se elegeu com folga sem os votos deles e o país reconquistou a democracia.  
Quando Lula perdeu para Fernando Collor a primeira eleição presidencial no voto direto, em 1989, o PT aceitou a derrota? Coisa nenhuma! Depois da posse, o partido estava nas ruas com o seu “Fora Collor!”. E tanto berrou que o presidente acabou caindo. Em 94, o PT perdeu a eleição para Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno. O que fez? Conformou-se com o resultado? Não! Foi para a rua, gritar: “Fora, FHC!”
E passou os oito anos dos dois mandatos de Fernando Henrique nas ruas, apanhando nas urnas e gritando: “Fora, FHC!”. Apesar do tom raivoso de sua pregação – o mesmo com que reage agora aos seus adversários – o PT fez muito bem ao país em não dar trégua aos governos que combateu. É este, afinal, o papel da oposição: fiscalizar o governo, cobrar o cumprimento das promessas de campanha, fazer pressão, denunciar suas mazelas e seus desmandos.
Se a oposição ao governo petista não tivesse sido tão relapsa e tão negligente, certamente o Brasil seria outro. O país seguramente não estaria sendo tão envergonhado hoje perante ele próprio e perante o mundo diante dos sucessivos escândalos que abalam a República e paralisam o governo. Só quem nasceu ontem não sabe disso!

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