A Canalhice Institucionalizada

Por:Márcio Accioly(Jornalista)
Quinta-feira de semana chamada “Santa”, eu me descubro, de repente, assustado com manchetes exibidas por diversos jornais, onde o foco principal é o roubo interminável do dinheiro público, praticado pela classe dirigente que infelicita o país. Vejo, também, capas de revistas que promovem artistas de televisão e cantores que gemem no acompanhamento de música identificada como “sertaneja” e, naturalmente, percebo de forma inequívoca o centro principal de alguns de nossos males.
Na capa de uma das revistas, a cujo nome eu não creditei importância, Fernanda Montenegro denuncia “preconceito” de determinada parcela da população que está boicotando a novela Babilônia, exibida na Rede Globo, como se todos tivéssemos o dever e a obrigação de observar, e certamente seguir, todas as sacanagens ali praticadas, culminando com duas senhoras em idade provecta a darem lições de sexo com beijos escandalosos em que enfiam a língua de uma dentro da boca da outra.
Eu não sou contra nada disso, mas entendo que uma emissora de televisão, que vem enganando e destruindo o país desde a sua criação, não tem ou não teria o direito de transformar o país num bordel de quinta categoria, fomentando a prostituição, a pouca-vergonha, o desrespeito puro e simples, a falência de todas as instituições, e criando essa estrutura que agora vemos de forma limpa e transparente: somos um país de canalhas!
E ninguém, absolutamente ninguém, levanta a voz contra essa bandalheira!

Há alguns anos (1991-92), um amigo canadense, grande empresário em seu país, veio ao Brasil e nos reunimos em minha casa, a fim de traçarmos pequeno roteiro que ele deveria seguir num contato comercial que faria junto a órgão federal. Era noite e o aparelho de televisão se encontrava ligado, quase sem som, num programa então exibido pelo SBT (Cocktail). Num determinado instante, o canadense me perguntou se eu havia notado o aparelho conectado a canal pornográfico.
Foi quando me dei conta de um programa semanal ancorado por Miéle, onde moças de corpos esculturais faziam topless sem a menor cerimônia. Eu respondi:
“-Isso aí é TV aberta, não assino canal pornográfico”. Mostrando enorme surpresa, ele perguntou:
“-Quer dizer que se eu estivesse aqui com meus filhos menores e eles ligassem a televisão, poderiam acessar tranquilamente esse tipo de coisa?” Respondi que sim.
“-Então, você me desculpe, mas um país como o Brasil nunca irá dar certo. Porque priorizar pornografia em vez de educação, jamais irá colocar bons profissionais no mercado ou devotados ao conhecimento e ao desenvolvimento”. Concordei.
O que ele me disse caiu como um raio grávido de entendimento.
Já se passaram mais de 20 anos, depois daquela lição recebida e tudo só fez piorar. Os “educados” pela Rede Globo, e pelas demais emissoras que com ela rivalizam, “formam” todos os anos quantidade enorme de canalhas, vigaristas, pedófilos e salafrários de todos os níveis mais desmoralizantes, sem que ninguém consiga enxergar nada disso. Aos que ousam protestar contra o nível da grade de transmissão de nossas emissoras, retruca-se com a argumentação de que “isso não é nada demais”.
A ignorância, o desconhecimento, a banalização de horrores, fez a classe média se juntar com parte significativa dos meios de comunicação e eleger um operário alcoólatra (e ladrão), que na realidade nunca trabalhou pesado na vida, para dirigir um país onde os analfabetos e os desmoralizados é que comandam nosso destino.
Temos de gritar bem alto em praças públicas, para que se formule urgentemente, um novo modelo para o Brasil. Estamos morrendo aos poucos, mas o passo em direção à ruína vai se acelerar. É preciso que se aja logo e se dê um basta a tanta canalhice.

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