O drama do transporte alternativo, ou melhor, do povo!

Por: Fernando Gomes(*)
Transporte público de qualidade rigorosamente não é uma meta do prefeito Florentino Neto (PT). Ele está chegando aos 30 meses do seu mandato sem dá cabo aos compromissos firmados em seu plano de governo também neste quesito. A melhoria do sistema seria um sonho, mas até agora não construiu sequer um abrigo novo para passageiros. Seria exigir demais? Ou isso não passa de uma crítica sem fundamento?!
Parnaíba num passado não muito remoto tinha ônibus coletivo trafegando em suas ruas e avenidas. Há pouco mais de 15 anos foi instituído o transporte alternativo como complemento ao sistema que operava na cidade. Nas duas últimas décadas tivemos um crescimento considerável da população usuária do sistema coletivo sem que o serviço melhorasse acompanhando a mesma proporção. Hoje é um caos.
Nos idos de 2010 foi anunciado que a Prefeitura de Parnaíba teria contratado uma consultoria para elaborar o Plano Diretor do Transporte Urbano e que a partir dele se estabeleceria uma política para o setor com base no planejamento estratégico. Se o plano existe nunca socializaram com ninguém…
O fato é que os usuários do sistema vivem um drama: falta de ônibus, irregularidade de horários, superlotação e desrespeito, especialmente aos idosos. O drama aumenta à noite e nos finais de semana onde a maioria dos bairros da cidade sofre com o número reduzido de veículos que servem à população.
Atualmente são as criticadas vans que fazem o transporte de passageiros. Bem ou mal, são elas. A prefeitura alega que não faz licitação para empresas de ônibus explorarem o transporte coletivo da cidade porque há uma liminar no Tribunal de Justiça do Piauí, impetrada pela Cooperativa de Transportes Alternativos – COOPERTRANP que impede tal medida. 
O dito transporte alternativo foi ignorado pela anterior e pela atual gestão. Acompanhei na administração passada e posso testemunhar o esforço que a COOPERTRANP empreendeu junto a Prefeitura Municipal no sentido de regulamentar o sistema, inclusive propondo a renovação e ampliação da frota, a implantação de catraca eletrônica, dentre outras benfeitorias que por certo teria melhorado o serviço. 
Naquele momento, nem o prefeito Zé Hamilton, nem seu vice Florentino atendiam as solicitações de audiência da categoria. Como vereador eu tentei intervir, sem sucesso. Não houve diálogo. Apenas o 
Secretário de Transportes da época, Gentil Linhares foi solícito, mas não tinha nenhum poder de decisão. Em certa ocasião, ele chegou a revelar o desapontamento com os gestores superiores, pois estava com quase 8 meses que tentava falar com as ditas autoridades e não conseguia. Uma lástima!
O transporte está um caos. Os estudantes também são prejudicados, a exemplo os alunos do IFPI diversas vezes se manifestaram e tentaram audiência com o prefeito para resolver o problema da falta de transporte para aquele importante centro educacional. Nenhuma solução plausível até agora!
A cidade está crescendo (inchando). Quando se constrói um loteamento ou conjunto residencial não 
se planeja a necessidade de transporte. O número de setores a ser atendidos pelo transporte coletivo também não para de crescer. Isso influencia em vários aspectos, entre eles o do tempo da viagem, o número de passageiros transportados, as condições de trafegabilidade nas vias públicas, o preço da tarifa e a demanda na oferta de veículos, resultando no serviço de pouca qualidade que se presta atualmente. 
Sabe-se que a equação do transporte coletivo não é simples. Porém a solução não está no discurso de que “há uma liminar tramitando na justiça e que impede a melhoria do sistema municipal” nem também no de implantar “veículo leve sob trilhos – VLT”, que foi falado pelo prefeito de Parnaíba.
A propósito do prefeito, no dia 9 de julho de 2013, no auditório da UFPI durante a solenidade de lançamento do livro do ex-ministro Reis Velloso, Florentino Neto declarou “O transporte alternativo feito por vans e microônibus pode ser extinto em Parnaíba”. Era uma resposta às pressões dos protestos que vinham ocorrendo na cidade, inclusive naquela solenidade os estudantes subiram no palco com cartazes e palavras de ordem pedindo melhorias ao transporte público. Foi um constrangimento só.
Ainda como resposta aos protestos o prefeito criou uma comissão para: (1) proceder uma avaliação do sistema regulamentado e pendente de aplicação, em razão da decisão judicial que suspendeu a licitação; (2) realizar um estudo de alternativas ao sistema regulamentado; e (3) requerer avaliação jurídica da Procuradoria Geral do Município. Assim ele transferiu a responsabilidade. E até agora nenhuma resposta. 
O fato é que seu governo ainda não teve a capacidade de por em operação um sistema que oferecesse um desejável serviço de qualidade. A gestão municipal está de costas para a sociedade. Ou não? Existe um plano de mobilidade urbana? Cadê a regulamentação dos mototaxistas? Como alternativa de transporte para muitos em função da deficiência do sistema público a categoria também vem sendo penalizada pela falta de ordenamento do serviço. A clandestinidade expõe usuários e prestadores ao risco e à perda de qualidade desse serviço. 
Seria o prefeito ingênuo ou soberbo? Não, talvez apenas esteja fazendo jogo político-eleitoral!
(*) Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano.

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