A casa da democracia não pode se tornar “casa da mãe joana”

Eliaquim Nunes
Certa vez alguém me disse que Parnaíba era a “cidade do tudo pode”. Confesso que no momento nem dei tanta importância à declaração, porém achei no mínimo curiosa,…no entanto, com o passar do tempo vejo que cada vez mais essa afirmação faz sentido.
Sobretudo depois do fatídico episódio ocorrido nesta segunda-feira, durante sessão legislativa na Câmara Municipal. Ocasião em que um cidadão invade o plenário da Casa, interrompe a sessão e com o dedo em riste aponta para o vereador proferindo acusações.
Não quero entrar aqui no mérito da discussão, embora tenha um posicionamento bem claro e definido acerca da polêmica, porém, como cidadão não posso me eximir de emitir um parecer diante de reprovável atitude tenha ela partido de quem quer que seja.
É bem verdade que é aquela a Casa do povo, porém o povo deve se manifestar nela de forma indireta, através dos seus representantes, eleitos pelo voto popular.
Para se falar ali é preciso ter legitimidade para tal, ou, ter a permissão concedida pelo presidente, depois de ouvido o plenário. É o que dispõem a legislação.
Uma atitude como esta não se resume apenas a uma afronta ao vereador, mas sim atentado contra o poder legislativo municipal, que se enfraquece se não tomar uma atitude exemplar a fim de que sua imagem seja moralizada.
Ao se omitir, o parlamento abre um precedente para que outros passam fazer o mesmo e assim, aquela que foi estabelecida para ser chamada Casa da Democracia” poderá se converter em “Casa da Mãe Joana”. E isso, senhoras e senhores, não é o que o parnaibano quer.
Eliaquim Nunes
Acadêmico de Direito

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