Por quem eles brigam?

Elmano Férrer briga – e ameaça romper – com o governo por tão pouco. Falta dizer como vai brigar pelo Piauí

Por quem os políticos piauienses brigam? Ontem, o senador Elmano Férrer irrompeu numa solenidade de emprego com a bravata: ‘vou botar pra quebrar’. Pois, pronto. Não se trata de nenhum arroubo próprio de adolescentes disputando gincanas ou palavra de ordem de algum black block querendo tocar fogo nas ruas, aproveitando-se das manifestações das entidades classistas. Trata-se da reação de um senador da República porque um apaniguado seu não foi aboletado numa sinecura de quarto escalão. Quando viu – ou soube – que haviam rasgado a portaria que nomeava o seu superintendente no Dnit do Piauí, Elmano ficou valente, anunciando-se, de pronto, rompido com o governo federal e, de quebra, com o estadual. Nos governos de coalização a gestão se processa compartilhada, onde os partidos aliados fazem indicações. Nada anormal. Curiosa e impertinente foi a reação do senador do PTB, mostrando que está para a briga apenas porque se deu por vencido numa refrega de disputa de cargos. O problema é que os estrondos do senador em Teresina não soam nem como sussurros nos ouvidos dos ocupantes do Palácio do Planalto porque sabem que, num estalar de dedos, tudo volta ao normal e o valente de agora se transforma num ordeiro e cordeiro aliado de todas as horas. Não se ouviu um pio do senador Elmano – e de nenhum dos demais membros da bancada federal – reclamando que o Piauí ficou de fora do pacotaço de R$ 198 bilhões lançado por Dilma, semanas atrás. O Estado, há muitas década,s não constrói uma obra estruturante e as que estão inacabadas, não tomam curso porque falta prestigio e força de quem deveria agir. Eles brigam, infelizmente, pelo lugar dos compinchas nos órgãos públicos e não pelos interesses maiores da população.
(Por:Arimatéia Azevedo)

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