A mãe da crise

Freitas Neto
“A crise de governabilidade que vem se aprofundando e se alastrando no país está por demais associada à gestão da coisa pública”. A opinião é do ex-governador e ex-senador Freitas Neto, diretor de Assuntos Econômicos da Federação das Indústrias do Piauí e foi manifestada em artigo publicado na mais nova edição da “Fiepi Revista”, que acaba de sair.
Para Freitas Neto, que foi ministro da Reforma Institucional no governo Fernando Henrique Cardoso e deixou pronto um anteprojeto de reforma política, há algum tempo descuida-se da administração, que tem sido relegada a plano secundário, para priorizar a política. “Não a boa Política”, frisa.
Em sua avaliação, em nome da governabilidade, os atuais gestores têm sido compelidos, mais do que nunca, “a render-se a interesses menores, nada republicanos e que não se coadunam com as reais necessidades administrativas que devem ter como objetivo fazer o Poder Público cumprir o seu papel de bem servir à comunidade”. 
Para ele, “esse processo de cooptação através do velho “toma lá, dá cá”, que agora virou regra, tem sido altamente nefasto aos governos, partidos e à classe política.” O diretor da Fiepi conclui que “todos estão perdendo sem perceber”. O modelo é praticado no plano nacional e reproduzido nos Estados e nos Municípios, “sendo crucial para a qualidade da gestão”.
Por isso, segundo Freitas Neto, o povo vem dando demonstrações de impaciência e insatisfação com transporte público, habitação, saúde, educação, falta de segurança, corrupção. Em consequência, ainda, o desgaste dos governos e da classe política é crescente e a falta de credibilidade, também.
No seu entendimento, o ponto central desta questão está no sistema político-partidário. “Um número excessivo e injustificável de partidos (32), quase todos nada representam. Servem exclusivamente aos interesses de seus controladores, que chantageiam governantes para obter cargos e vantagens de toda natureza”, critica.
Para esses cargos, escreve, os partidos indicam invariavelmente pessoas sem o perfil ou preparo adequados para a função a ser exercida, redundando em um trabalho medíocre no órgão negociado. Este jogo é feito abertamente e só seria mudado, segundo Freitas Neto, através de uma reforma política de verdade, não dessa que está sendo feita na Câmara dos Deputados.(Por:Zózimo Tavares)
Edição:Bernardo Silva)

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