Parnaíba: Falta de novos líderes poderá esvaziar o debate da sucessão municipal

                  Professor Renato Santos:”A ordem do dia é outra”
Com a aproximação do ano eleitoral a cada dia se intensifica o debate com vistas à sucessão municipal, com vários nomes já lançados como prováveis candidatos à Câmara Municipal e à sucessão do prefeito Florentino Neto. Do que se ouve, quanto aos prováveis candidatos, quase nenhuma novidade, considerando que a maioria dos citados já disputou eleições.
O surgimento de novas lideranças, realmente formadas no seio dos movimentos populares, há muito não se tem notícia. “Aqui em Parnaíba, pré-candidatos a prefeito e vereadores é o que não falta. Tem pessoas que sequer assinam o nome e querem por que querem uma “boquinha”, deixando bem claro que o interesse demonstrado é meramente particular e nunca o coletivo. Na realidade são candidatos à mesmice”, comenta o professor aposentado (UFPI) e empresário, Renato Santos Júnior.
“Sobre esses nomes que estão sendo falados, faço uma provocação: qual é o plano desses pré-candidatos? Qual é a discussão que travam para trabalhar em favor da cidade e da sua gente? Eles já ocuparam cargo público? O que fizeram em favor do povo?”- pergunta o ex- vereador e sociólogo Fernando Gomes. Para ele, nem mesmo o ex-prefeito José Hamilton e o atual prefeito Florentino Neto podem ser considerados líderes natos, porque para chegarem ao poder foram “apadrinhados”. “A verdade é que faltam nomes. Faltam nomes bons e planos que zelem pelo bem comum. Um fenômeno aponta que poucos novos líderes se formaram ao longo da história parnaibana”, avalia Fernando.
Lembra o ex-vereador que “nas últimas décadas tivemos os casos de Zé Hamilton e Florentino Neto, onde o primeiro não tinha expressão nenhuma ao ponto de ascender à chefia do Executivo. Mas foi o escolhido por Mão Santa, prefeito da época, como seu candidato à sucessão, contrariando algumas lideranças do grupo. Zé Hamilton foi vitorioso e logo no início do mandato rompeu com o seu mentor, tornando-se o seu algoz até hoje”.
E conclui: “Florentino Neto, avesso à política como ele mesmo sempre fez questão de dizer, intitulou-se como técnico, tem uma história política parecida: jamais seria eleito a nada não fosse o apadrinhamento de Zé Hamilton. Este o colocou como seu vice-prefeito de 2009 a 2012 e em seguida o elegeu prefeito para o mandato até 2016. O que há de comum nessas histórias? Como o poder se instalou com nomes que jamais se elegeriam sós? Qual o seu legado? A “criatura” se voltará contra o seu “criador” novamente?”- questiona.
Para o professor Renato Santos, “parece que chegou o momento das entidades representativas da cidade iniciarem movimentos que realmente produzam resultados concretos. Chega de reuniões e audiências ineficientes, muito mais voltadas para “jogar” para a mídia, uma vez terminadas não se fala mais no assunto”.
Outro aspecto a considerar – diz o professor – “é a falta de capacidade (não quero me sobrepor a ninguém), mas o nível dos que nos representam deixa muito a desejar.Possuímos muitas pessoas competentes como professores, técnicos e profissionais liberais que têm um potencial que ainda não foi prestigiado sequer por um convite para discutir, debater e repensar a nossa cidade. Os que estão em lugares-chave não querem (usando as palavras do Cid Gomes)  “largar o osso”.

“Vamos valorizar a prata da casa e debater as oportunidades e as ameaças que fazem parte do nosso ambiente e as nossa forças e fraquezas internas. Não permitamos que a POLITICALHA seja a ORDEM DO DIA de nossas pretensões”.     
Fonte:”Jornal Tribunado Litoral”           

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