QUEM PAGA PELA VOLTA DA INFLAÇÃO?

Por: Benedito
Gomes(*)
Estamos
sentindo no bolso, sentindo na pele, sentindo na visão, sentido na alma…
sentindo o quê, afinal? A volta da inflação, provocada exatamente por aqueles
que estão aí para bem administrar nosso país.
O nosso
bolso sofre com a falta de dinheiro; a pele sofre porque ela cobre o corpo inteiro e o
sofrimento é total; nossa visão  sofre vendo  o comércio vazio; e,
finalmente, sofre nossa alma, vendo nossos irmãos perdendo empregos, cujo
sentimento do quanto isso dói só sabe quem já passou por este momento difícil.
O Brasil
parece ser o único país no mundo onde se combate a inflação com o aumento dos
juros. Seria mais fácil copiar a centenária sabedoria do nosso agricultor que
na sua simplicidade não usa as palavras “produção” e “inflação”. Ele usa, no
seu dia a  dia, os termos “fartura” e
“carestia”, ou seja, se há um bom inverno é sinal de fartura no campo. E em
sendo assim não há carestia.
Nossos
Ministros da área econômica poderiam pensar em uma grande produção, com
mercados cheios e, como resultado, baixa inflação. Mas fazem o contrário:
aumentam os juros, inibem o consumo, as lojas reduzem as compras e, consequentemente,
as indústrias diminuem a produção.
Os preços
que mais subiram nos últimos 12 meses foram exatamente os administrados
diretamente pelo governo: a água, a luz, os combustíveis, impostos, taxas, etc.
E haja imposto para manter  em funcionamento
os órgãos públicos que só geram despesas e o câncer da corrupção que está embutida em quase tudo que é público neste país. É só observar que nos últimos
12 meses o salário mínimo teve um aumento que não chegou a 10%, enquanto que  tudo que o governo aumentou, naquilo que por
ele é administrado, incluindo juros, já passa dos 100%.

Os
empresários fazem tudo o que é possível licitamente para manter preços baixos e
não perder clientes. Mesmo assim, sempre que vamos ao comércio achamos tudo
mais caro. No momento, a única coisa barata é o dinheiro, que não está valendo
quase nada. Mesmo assim, pior sem ele.
(*)Benedito Gomes – Contador (UFPI)

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