Cem por cento de um, é um!

Por:Benedito Gomes(*)
Nos últimos anos tenho acompanhado de perto o
desenvolvimento econômico do estado do Piauí. Mesmo sendo leigo no assunto,
leio sempre na imprensa que o Piauí cresceu mais que a média nacional; que a
educação é destaque em todo o país e a segurança vai muito bem.

Fico a pensar o seguinte: se nós pouco produzimos
e importamos tudo o que consumimos, isso não é desenvolvimento econômico, pois
não gera riqueza. O capital que circula é quase sempre o mesmo. O lucro fica
com quem produz e não no consumo. Sendo assim, a publicidade do governo
estadual não condiz com o desempenho real do estado.
Há poucos dias o jornal nacional mostrou para todo
o Brasil aquilo que nós já sabíamos há muito tempo. A televisão mostrou a
situação lastimável da “Rodovia Transcerrados”, no Sul do Piauí.
Imagine uma carreta de meio milhão de reais,
carregada de soja e atolada em um lamaçal que o governo do estado chama de rodovia do desenvolvimento. E olha que
o Piauí deve mais de 3 bilhões de reais a bancos, empréstimos feitos exatamente
para construção de estradas. Se o asfalto não foi aplicado na obra, afinal,
para onde foi o dinheiro?
                          A repórter de TV na Transcerrado
O Sul do Piauí é sem dúvida uma região riquíssima.
Há mais de 10 anos que produtores rurais de grande porte vieram de diversas
regiões do Brasil e adquiriram milhares de hectares de terras nos cerrados
piauienses. Entre compra de terra, desmatamento,  aradagem, gradear, construção de silos,
armazéns, casas, tratores, colheitadeiras, veículos de transporte e etc. O
investimento privado na região é para de um bilhão de reais. Na Serra do
Araripe já estão implantadas 600 torres de energia eólica, cujo investimento
chega aos 10 bilhões de reais, tudo empresa privada. Aliás, o único
investimento do governo do estado na região são as estradas, que se encontram
com atoleiros gigantes, pontes quebradas, buracos, etc.. praticamente
intransitáveis.
                                Suzano:Unidade Imperatriz
Não foi à toa que a Suzano Papel e Celulose, a
segunda maior produtora mundial de celulose de eucalipto, saiu rapidamente do
Piauí e instalou a sua grande indústria na avenida Newton Belo, s/n, zona rural
de Imperatriz, no Maranhão. Com mais de cinco mil empregos entre diretos e
indiretos, exportando toda sua produção pelo Porto de Itaqui, a 600
quilômetros de distância, gerando milhões de reais em impostos, salários e
outros gastos. E nós aqui sem nenhuma estrutura e nosso governo ainda informa
que crescemos acima da média! Dá pra acreditar?
(*)Benedito Gomes
Contador (UFPI)

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