O atraso no início do ano letivo

Por:Zózimo Tavares
Quando se imaginava que em 2016 o Piauí teria um ano letivo sem atropelos na rede estadual de ensino, eis que o próprio Governo do Estado cria embaraços para a abertura do período. A proposta de parcelamento em três vezes do pagamento do piso do professor, apresentada pelo governador Wellington Dias, adiou o início das aulas.
Chega a ser até prosaico que o governo do Piauí esteja em uma queda de braço com o magistério estadual em função do pagamento do salário-base do professor. Como o salário mínimo, o piso do magistério, criado em 2008 e implantado em 2009, já não é algo para ser mais discutido e sim pago, religiosamente, pois se trata de uma lei federal.
Então, o que compete aos gestores é simplesmente organizarem suas finanças e planejarem o pagamento dos salários do professor na forma da lei. No caso, o piso subiu este ano 11,36%. Descontada a inflação do período, que foi de 10,67%, o reajuste real do piso do professor foi de apenas 0,69%, o menor desde a sua criação, e ficou em R$ 2.135,64. 
Por isso mesmo, fica difícil de entender toda essa carga contra um ganho real tão ínfimo para uma categoria que tem uma missão profissional tão espinhosa e tão relevante. É a crise? Pois a crise chegou também a outros Estados e a muitos municípios e, mesmo assim, eles estão cumprindo a lei e pagando o piso do magistério integralmente em seu novo valor.
O Governo do Estado ameaça paralisar obras, se tiver que pagar o novo piso do professor. Esse argumento também é prosaico. A correção do piso está vinculada à variação no valor anual mínimo por aluno definido no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Ou seja, Estados e municípios receberam e receberão recursos federais a mais para pagar melhor o magistério.

Diante do impasse criado pelo governo, já que ele é o gestor de seu caixa, há um atropelo na abertura do ano letivo no Piauí. Funcionaram nestes primeiros dois dias, precariamente, algumas escolas que contrataram professores temporários. As demais estão paralisadas. Enquanto isso, nas escolas da rede privada, as aulas já foram iniciadas há um mês. 

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