Pulando a janela

Por:Arimateia Azevedo

No popular, traição conjugal é conhecida como “pular a cerca”. Na política, com autorização constitucional, algo equivalente no âmbito partidário, vai se chamar pular a janela. Isso porque a promulgação de uma emenda constitucional abriu um espaço de tempo de 30 dias no qual se sustenta o instituto da fidelidade partidária, criando um período em que os políticos com mandato legislativo podem trocar de legenda sem o risco da cassação. 
Então, no que resta de fevereiro e em quase metade de março, deveremos ter um troca-troca de legendas partidárias, o que vai certamente favorecer partidos que se dispuserem a ceder mais espaços para os novos filiados. Serão dias de muita conversa e arrulhos. Namoros e traições virão a galope, atropelando mesmo os mais respeitáveis conceitos éticos, porque ao fim e ao cabo vai contar mesmo é a questão numérica: quais partidos vão conseguir engordar mais suas bancadas nas Assembleias Legislativas, Câmaras de Vereadores e na Câmara dos Deputados. É ainda muito cedo para se determinar quem vai sair ganhando nessa queda de braço por mais parlamentares e suplentes, mas é quase certo que a se mantiverem condições como as atuais – de se dar autorização constitucional para a troca de partidos – nunca haverá no Brasil legendas fortalecidas, algo que só se conseguirá com cláusulas de barreira para restringir o acesso ao fundo partidário e a tempo de TV, por exemplo.

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