NOTA DÓ

Por: Benedito Gomes(*)
Já tinha pensado em voz alta, ou melhor,
conversando comigo mesmo, que não ia mais tratar de assunto Porto de Luis
Correia e ZPE de Parnaíba, afinal, justificar o injustificável deve ser muito
difícil. Falando de porto, aquele pedregulho que você vê em nosso litoral, foi
iniciado nos anos 70 por uma empresa chamada Cobráulica S/A. Depois de um ano
de trabalho, o diretor presidente da empresa veio a Parnaíba fazer uma visita às obras do porto e, depois da inspeção devida e de muita conversa com o Dr
Helio, engenheiro chefe, o presidente, olhando para o mar, disse “ Hélio, aqui
não dá um Porto nunca”. Acertou em cheio. 
Com a construção da Transnordestina a
produção que tiver no Sul do estado, se tiver, já tem destino certo: Porto do
Pecém-CE e Suape-Pe. 
Ah, mas do porto ainda tem muito o que falar. Lembram
quando o governador Wilson Martins disse que ia fazer ali um Porto de cabotagem?
Não tinha a menor ideia do que estava falando. E pensam que o assunto terminou
por aí? Não, ainda tem mais e vou falar um pouquinho pra vocês. O primeiro é
que o atual governador há mais de um ano vem falando em fazer um entreposto
pesqueiro, aproveitando o pedregulho para alguma coisa. Uma boa ideia, porém, o
que o governador parece não saber é que a IPECEA – IND. DE PESCA DO CEARÁ S/A,
encerrou sua atividade em Luís Correia há 30 anos, exatamente por falta de
peixe.
                         “Pedregulho” chamado Porto do Piauí
O forte da pesca, governador, na região norte, está
concentrado entre o Parcel de Manoel Luis, na costa maranhense, ao cabo Orange,
extremo norte do Brasil, numa área de aproximadamente 800 km de extensão por
200 de largura. Em torno de 350 barcos de todo o nordeste, quase ninguém do
Piauí, pescam na região o ano inteiro. O pescado capturado é desembarcado nos
portos de origem dos barcos, dai então seguem de caminhão para lugares
diversos, inclusive o Piauí, pois o peixe que aqui consumimos é 90% de outros estados. Mas é exatamente aqui onde não há produção que o governo fala em
construir uma indústria de beneficiamento de pescado.
ZPE

 A ZPE – Zona de Processamento e Exportação, na
contra mão da historia e do desenvolvimento. Da historia porque o produto top
da ZPE no momento é cera de carnaúba e sabemos que cera é exportada há mais de 200 anos. Então, nada de novo.
E o desenvolvimento? Pior ainda. Sem produção não há exportação. Alias, assisti recentemente uma entrevista de um
diretor da ZPE, fiquei com pena quando o diretor entrou no ar, fez uma boa
apresentação, conversa bonita, mas o apresentador fez a primeira pergunta: “O
que há de concreto na ZPE?” – A Agrocera, dentro de dois meses estaremos exportando
o primeiro container. Nova pergunta:”existem outras empresas interessadas?” – Diversas, temos algumas já com a documentação em Análise. “Para este ano teremos
exportação saindo da ZPE?” – A Agrocera! 

Olhei firmemente o rosto do apresentador
e seu semblante deixava claro não estar acreditando no que via e ouvia.
Realmente querer tapa o sol com uma peneira é difícil. Dizem que os
equipamentos existentes lá pela ZPE, o Moraes S/A e a PVP já usavam há mais de
20 anos.

Se você me pedisse uma nota para entrevista que eu vi,  eu
daria nota “Dó”. É grave mas é musical. E onde tem música tem ritmo, harmonia e
melodia. O resto é festa.
(*)Benedito
Gomes

Contador
(UFPI)

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