Parnaíba: cidade universitária, mas sem oportunidades!

Por: Fernando Gomes (*)
O sonho de ter um curso superior ficou
mais próximo da realidade dos jovens parnaibanos. No começo dos anos 2000, principalmente a partir de
2005, novas universidades começam a surgir e o número de vagas, inclusive nas
já existentes, aumentou vertiginosamente.
Fernando Gomes
A UFPI e a UESPI expandiram seus
cursos, além da chegada da FAP (hoje Faculdade Maurício de Nassau) que, somadas
têm atualmente cerca de 14 mil universitários, um número que se aproxima de 10%
da população local, o que confere à Parnaíba uma posição privilegiada em
indicadores nesse campo. Dados estimados apontam que aproximadamente 60% desses
estudantes não são parnaibanos. O que, por outro lado, traz uma benéfica
injeção na economia local.
As facilidades para se ter um curso
superior aumentaram, especialmente para os jovens mais pobres. O governo
federal implantou programas de cotas para negros e estudantes de escola
pública, ampliou o FIES, o PROUNI e bolsas de pesquisas que contribuíram para o
aumento desse contingente.
Ao passo que o Governo acertou na
criação de novas universidades, programas e bolsas de pós-graduação nesses
últimos 14 anos, a gestão desse material humano e financeiro foi bastante
descontrolada. Muitos cursos foram criados sem demanda profissional, outros
implantados sem as condições mínimas necessárias para uma boa formação, com
deficiência de professores e pouco investimento em pesquisa.
Antes, se formar era um privilégio para
aqueles que podiam pagar para morar fora. Com as faculdades à porta, o drama
não é mais conseguir graduar-se, mas encontrar um emprego depois de formado.
Com a falta de oportunidade na cidade, muitas famílias perdem seus filhos que
precisam buscar novos horizontes em outras terras. Os que aqui permanecem,
amargam o desemprego!
O desemprego assume uma faceta cruel
entre os jovens que, antes, tinham pouca qualificação e, hoje, formam um
exército de graduados sem perspectiva de serem absorvidos pelo mercado de
trabalho.
O grande sonho individual do jovem
parnaibano é ter uma boa formação profissional e um emprego, seguido pelo
desejo de ter a casa própria e dinheiro. Sonho apontado em uma pesquisa nacional
que procurou mapear o que querem os nossos jovens. Eles ocupam, hoje, um quarto
da população do País. Isso significa 51,3 milhões de jovens de 15 a 29 anos
vivendo, atualmente, no Brasil, sendo 84,8 % nas cidades e 15,2 % no campo. A
pesquisa mostra que 53,5% dos jovens de 15 a 29 anos trabalham, 36% estudam e
22,8% trabalham e estudam simultaneamente.
Guardada a euforia dos avanços na
educação, segundo o Censo 2010, apenas 16,2% dos jovens de todo o país chegaram
ao ensino superior, 46,3% apenas concluíram o ensino médio e 35,9% têm sua
escolaridade limitada ao ensino fundamental. Comparando a escolaridades dos
jovens com a de seus pais, os dados representam um ganho de escolaridade nessa
nova geração.
Nossos jovens melhoraram o nível de
escolaridade, mas não estão conseguindo se inserir no mercado de trabalho
conforme as competências adquiridas. O desemprego é uma grave questão social.
Essa situação causa problemas à economia, ao desenvolvimento local e prejudica
a dignidade e a sobrevivência dos cidadãos.
A taxa de desocupação entre os jovens
é sempre maior que na população em geral. Na medição pela PNAD Contínua (Pesquisa
Nacional por Amostra em Domicílios Contínua, do IBGE), o desemprego geral
passou, nos últimos 12 meses, de 6,5% para 11%. Mas o salto foi de 17% para
22%, no mesmo período, para os brasileiros de 18 a 24 anos. De acordo com o
Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, o desemprego geral
baterá em 12% em dezembro e passará dos 13% no fim de 2017. Caso se mantenha na
mesma proporção que hoje, a taxa entre os jovens passará dos 27%. Mas a
tendência é que o sumiço das vagas para essa faixa etária ocorra de forma ainda
mais acentuada.
O reflexo disso para os jovens é
dramático. Algumas famílias fazem um esforço descomunal para investir no
“futuro” do(s) seu(s) filho(s), porém com o diploma na mão vem o drama da falta
de oportunidade. Como a renda familiar tem caído, mais filhos tentam antecipar sua entrada no mercado de
trabalho
, a fim de ajudar os pais. Quando mais gente procura
emprego, disputando um número de vagas que só encolhe, a taxa de desemprego
explode.
Mais que dramas pessoais, o forte desemprego nos estratos mais jovens da força
de trabalho na cidade deverá causar transformações significativas
 na
geração que chegou recentemente ou está para chegar ao mercado. Parnaíba precisa, urgente, de uma política pública
de planejamento que vise buscar
alternativas para aliar tecnologia, educação e empregabilidade, com foco na
estabilização dessa
curva entre oportunidades e demanda. E, até que se faça alguma coisa nesse
sentido, cabe a pergunta: o que faremos com os novos profissionais e os que
ainda surgirão ano a ano?
*) Fernando Gomes, sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte
parnaibano.

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