Déficit eterno

Por:Arimatéia Azevedo

Tem pelo menos 25 anos que se fala no Piauí de um déficit de efetivo na Polícia Militar. Desde o mandato de Freitas Neto (1991-94) que se menciona a necessidade de alguns milhares de policiais militares. Aliás, se for olhar direito, o atual efetivo da PM deve ser o mesmo de duas décadas e meia atrás. Mas o que houve para não se conseguir recuperar o número mínimo de policiais? Simples: a porta de saída da corporação sempre foi mais larga que a de entrada. Contando praças e oficiais que deixam a PM, por vontade própria ou aposentadoria, o número é bem maior do que aqueles que entram em serviço. E tem aquele fabuloso contingente colocado para tarefas domésticas nas casas de autoridades. Somem-se a esses déficits o fator sazonal de licenças por razões de saúde e a mudança na jornada de trabalho, que antes era de 24 horas trabalhadas por 48 de folga, mas passou a ser de 24 por 72, ou seja, para se ter mais policiais na rua essa alteração somente seria operacionalmente vantajosa se houvesse a incorporação de um terço a mais de pessoal ao efetivo atual. Ora, diante de uma equação que não fecha, decide o comandante da PM suspender as férias dos policiais em razão de um surto de violência. Se assim for, não haverá mais tempo para que policiais militares gozem um período de descanso, porque a violência é uma patologia social que só se expande. Para o bem da população o governo precisa fazer concurso na PM. Isso é uma necessidade premente.

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