Nossa oposição estava no Titanic

Por: Pádua Marques (*)
Desde quando passei a me interessar por acontecimentos da história moderna eu sempre encontro alguma relação com alguma ocorrência na Parnaíba. Dessa vez foi o anúncio do vice na composição da chapa encabeçada pela deputada estadual Juliana Falcão Moraes Souza e horas depois a desistência do vereador André Neves. Todos esses acontecimentos tão recentes fizeram os analistas políticos da praça da Graça e a imprensa de bestas.
Em 1907, no dia 30 de abril, era dada ordem de serviço pra construção de um dos maiores e mais caros desejos da indústria naval, o Titanic. Eu vou ser rápido nessa historia pra que ninguém fique enjoado. Mas em 1907 a empresa White Star Live, de Liverpool, Inglaterra, decidiu construir três navios e um deles foi batizado de Titanic. A construção do monstro efetivamente teve inicio em 1911 nos estaleiros da Harland & Wollff, de Belfast, na Irlanda.
O casco do Titanic foi lançado ao mar no dia 31 de maio de 1911 e foi assistido por mais de cem mil pessoas. Tinha um custo total de US$ 7,5 milhões, cerca de US$ 400 milhões nos dias de hoje. Da ponte de comando até a quilha era o equivalente a um prédio de dez andares. Seu comprimento era maior que a altura de qualquer prédio da época. Para se ter ideia, o Empire State Building, construído vinte anos depois nos Estados Unidos, tinha 381 metros de altura.
O Titanic deslocava 66 mil toneladas e era considerado um palácio flutuante. Tinha piscina, quadra de squash, banho turco, ginásio de esportes, salões de festas. Não era pra bico de caboclo não! Na primeira classe viajavam 337 passageiros escolhidos pela fama e a fortuna. Só quem tinha muito libra esterlina na burra. Na segunda classe vinham 285 passageiros, Também gente que tinha alguma coisinha. E na terceira classe pra baixo da linha de pobreza, na ala dos lascados, 885 passageiros.
O Titanic chegou a Southampton no dia 3 de abril de 1912. Ficou sete dias sendo carregado, abastecido e tripulado. Antes de dar início à travessia para os Estados Unidos passou por Chesbourg na França e Queenstown, na Irlanda. Três dias depois de sair do porto europeu, já em águas da América com destino a Nova York, às 23h40 do dia 14 de abril de 1912, um domingo de missa, o Titanic encontrou pelo lado esquerdo um iceberg de uns 18 metros de altura.
A montanha de gelo rasgou o casco e em pouco mais de duas horas o navio estava no fundo do mar. Havia apenas vinte botes à disposição dos passageiros e tripulação. O Titanic estava naquela madrugada gelada de abril de 1912 a 1600 quilômetros de Boston. A relação do ocorrido com o Titanic há cento e quatro anos, meses e dias no Atlântico, perto do Canadá, me faz uma ligeira relação com o que ocorreu com os partidos de oposição nas últimas horas em Parnaíba e que são do conhecimento de todos.

No início desse mês os partidos de oposição chamaram rádio, televisão, portais e blogs pra uma coletiva num hotel do centro de Parnaíba. Seria o anúncio da pré-candidatura da deputada Juliana Falcão Moraes Souza. Depois de uma reunião interna presidida pelo ex-governador Zé Filho, foi anunciado o que todo mundo já sabia há séculos. Mas faltava a definição sobre o nome do vice na composição da chapa.
Agorinha mesmo da silva, nessa semana passada, no final da noite da quinta-feira dia 21, era anunciado nome do vereador André Neves, do PDT. Mal havia terminado a manhã de sexta-feira, 22, com todo mundo já alegre e satisfeito nas rodas de conversa contando os guarás do delta do Parnaíba, quando de repente o navio da oposição cheio de gente até a tampa da escotilha bate o casco numas pedras, o vereador pulou fora do navio. Há uma expectativa sobre a saída de Juliana da peleja e a águas quentes do rio Igaraçu voltaram a ficar turvas.
(*) Pádua Marques é jornalista e escritor

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