Chuvas não enchem barragens do semiárido

Barragem de Piaus, uma das mais castigadas pela seca
Nos anos 90, sobretudo, tinha-se a impressão de que, finalmente, se cumpriria a profecia de Antônio Conselheiro: o sertão iria virar mar. Isso porque, especialmente no Piauí, os políticos só queriam saber de construir barragens. Era uma atrás da outra, a pretexto de combater a seca no semiárido e incentivar a irrigação.
O Piauí ganhou gigantescos reservatórios de água nos últimos 20 anos. Água em abundância, mas que não mudou significativamente a vida no sertão.
Poucas foram as barragens utilizadas no abastecimento de água das cidades. Nenhuma foi usada na irrigação. O Estado continua importando quase 100% dos hortigranjeiros que consome.
A maioria dessas imensas e caríssimas barragens serviu apenas para farras de fim de semana. Ou para irrigar campanhas eleitorais. Algumas não atenderam à necessidade de abastecer as populações porque não contaram com as adutoras para a distribuição da água.
Seca no grau máximo
Pois bem! A situação hídrica da região piorou. O Nordeste fechou 2017, seu sétimo ano seguido de estiagem, com um terço de seu território no grau mais elevado de seca, segundo dados da ANA (Agência Nacional das Águas).
Outro efeito do resultado da seca: o sistema Olho N’água, do órgão federal Insa (Instituto Nacional do Semiárido), indica apenas 11,4% da capacidade total de água acumuladas em barragens e açudes – trata-se do menor índice já registrado na região. 
Segundo mapa do Monitor de Secas do Nordeste, da ANA, 33,6% do território nordestino apresentava, em dezembro,  seca nível 4, o mais alto da escala e classificado como seca excepcional.
Em 2015, esse índice chegou a 47% e, em 2016, a 65%. Em 2014, ano com maior volume de chuva desde 2012, só 6% do território teve seca excepcional.
Também no ano passado, 29% do território nordestino registraram nível 3, de seca extrema. De acordo com o boletim da ANA, o mês de dezembro não registrou chuvas como se esperava.(Zózimo Tavares)

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