A desmoralização do planejamento

Por:Arimatéia Azevedo
Os órgãos do setor primário do Piaui, tipo SDR e Emater, não conseguiram fazer chegar ao menos a dez das 17 regionais do Emater (Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural) as sementes que deveriam ser distribuídas a agricultores familiares. Fevereiro avança para o fim e as janelas para plantio dessas sementes se fecharam faz tempo. A situação é realmente um exemplo muito bem acabado de inépcia, porque até as maçanetas dos prédios do Emater conhecem o calendário agrícola do Piauí. Assim, é bastante espantoso que as sementes não estivessem em poder dos agricultores antes que se abrisse no calendário das datas tecnicamente estabelecidas para a semeadura. Neste caso, nem cabe a clássica desculpa de que houve atraso no processo de licitação ou ainda que o aporte de recursos não foi feito no tempo devido para pagamento dos fornecedores. Uma justificativa como essa insulta a inteligência das pessoas, porque seria o mesmo que pedir que elas ignorem a existência de calendários de mesa facilmente encontrados nas mesas dos gestores da agricultura no Piauí. O atraso representa uma perda econômica muito grande em um ano de chuvas regulares, podendo e devendo ser lido como mais um caso de uma prática danosa para o país: a recorrente desmoralização do planejamento.

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