As pedaladas locais

Por: Arimatéia Azevedo

O contorcionismo verbal do governo e seus aliados para justificar o uso de recursos de empréstimos da Caixa Econômica Federal em aplicação diversa para o qual se destinavam pode até agradar às plateias adestradas, mas será preciso convencer auditores do Tribunal de Contas, seus conselheiros e possivelmente o pessoal técnico da CEF. A reação do governo em desqualificar a oposição como a responsável pela difusão da auditoria não melhora as coisas. O que pode melhorar é encarar a questão do ponto de vista técnico: se de fato houve não um desvio de finalidade no uso do dinheiro e sim uma remoção de fonte, como justificou o secretário Merlong Solano (Governo), e isso se deu à luz da lei, não há nada a temer. E se não há o que se recear, é desproporcional a reação do governador Wellington Dias, muito queixoso com a oposição, a quem acusa de baixaria. Restaria, sendo tudo legal, trazer a luz todo o fluxo de pagamentos e dossiês com as obras financiadas pelo governo às suas expensas, depois ressarcidas com o dinheiro da Caixa. Mas sempre cabe lembrar que esse tipo de operação, se não amparada na lei, constitui-se em uma movimentação de recursos que pode ser até classificada como uma pedalada fiscal, tal e qual a que derrubou a ex-presidente Dilma Roussef. 

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