O dia seguinte

Por:Arimateia Azevedo
Ontem, sem grandes novidades, foi comemorado o Dia Internacional da Mulher. Manchetes de jornais, reportagens especiais na televisão, matérias nos portais, posts nas redes sociais, algumas discussões aqui e ali, nas repartições. Foi dia também de flores e parabéns. Enquanto isso, acredita-se que para muitas delas não há muito que comemorar. O que mesmo as mulheres anseiam no mundo contemporâneo? Para uma sociedade mais igualitária, o que mais importa? Muito provavelmente é o dia seguinte, os dias seguintes aos 8 de março. Todos os dias, há de haver mais criticidade nas ações de cada um. Nas empresas, nos ambientes familiares e em todos os lugares. Sem hipocrisia e com menos bla-bla-blás. O que mais tem incomodado as mulheres são as diferenças salariais. O uso do tempo é outra categoria explicativa para se entender tamanhas injustiças contra elas. Enquanto se ouve elogios que mulheres dão conta de fazer várias coisas ao mesmo tempo, os  homens, por sua vez, estão se divertindo ou focando naquilo que mais lhes interessa. É provável que o próprio homem não perceba, mas quando ele chega à terceira idade ou está doente, a sociedade tem atribuído à mulher o papel de cuidadora. Isso demanda tempo. Tempo também custa caro. É um peso que a mulher carrega, independente da idade, às vezes, desde a infância. A posição de lindas e sedutoras não interessa mais a elas, que buscam reconhecimento, espaços igualitários, que a dupla jornada seja divida com os homens. Menos mulheres “boazinhas”, mais mulheres que sabem brigar quando são desrespeitadas ou injustiçadas. Não se trata da defesa do feminismo. Trata-se de justiça social. De uma sociedade mais sustentável, com mulheres tendo mais tempo para se dedicarem a tudo e a qualquer coisa que elas desejem, sem limitações impostas por uma sociedade inerte, ainda muito machista, que no dia a dia fecha os olhos para os problemas que ainda chocam, em plenos 2018. Que nesse dia 9 de março – e em todos os dias do ano – sejam momentos de ações efetivas para se assegurar datas realmente alegres para as mulheres.

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