Quando no Piauí, ministro do STF ouviu que está “cheio de ladrão” no estado

                       Luís Roberto Barroso durante palestra no TCE
Por Rômulo Rocha – Do Blog Bastidores
Em meio à sua palestra sobre corrupção, realizada no I Simpósio de Inteligência Institucional do Tribunal de Contas do Estado do Piauí, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso ouviu um grito vindo da plateia dizendo que no Piauí “estava cheio” de ladrões, em referência aos corruptos de colarinho branco, que estariam enlaçados aos diversos poderes locais.
O ministro ouviu, mas continuou seu contundente ataque aos corruptos.
Quem disse “no Piauí tem muito [ladrão]”, em concordância com parte da retórica do ministro, foi um dos participantes do auditório, inscritos no simpósio – e que até ganhara um beijo de outra palestrante em ocasião anterior.
Luís Roberto Barroso: “Há hoje, no Brasil, entre os representantes da velha ordem, duas categorias muito distintas. [Uma é] a dos que não querem ser punidos pela imensa quantidade de malfeitos que fizeram. Mas há um lote pior: que é o dos que não querem ficar honestos nem daqui para frente. E é imensa a quantidade de pessoas que milita na manutenção desse extrato de corruptos. Eles não sabem viver honestamente. Então vão ter que nascer de novo. Gente que acostumou a viver com dinheiro dos outros. Gente que acostumou a viver tomando o que é dos outros. Quem vê a Veja desta semana vai verificar que mais de 10 anos depois do mensalão e de mais de três anos de operação Lava Jato essa gente continua fazendo as mesmas coisas. São ladrões compulsivos.
Espectador: “Está cheio no Piauí”.
Luís Roberto Barroso: (…) “Não é fácil. Esse povo está em toda parte. Nos altos escalões dos poderes da República. Na imprensa. Onde menos seria de se esperar, você tem militantes empenhados na operação abafa. Aquela visão de que há corruptos que eu não gosto, mas há corruptos que eu gosto. Mesmo assim, é preciso empurrar a história para que essas pessoas sejam finalmente afastadas para a margem da história e que o Brasil possa seguir o seu caminho”.

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