Crônica: Carnaval- a Festa do povo

Por:Carlos Henrique Araújo

Ninguém sabe, exatamente, como e quando surgiu o carnaval. Os estudiosos e pesquisadores, cada um ao seu modo, têm uma definição. Uns acham que o carnaval teve sua origem nas antigas celebrações da humanidade, como as festas gregas e egípcias que homenageavam a deusa Isis e o renascer da natureza com a chegada da primavera. Outros defendem que as festas de carnaval estão associadas a fenômenos astronômicos e a ciclos naturais.

Segundo a Vikiquote, “o carnaval é um período anual de festas profanas, originadas na antiguidade e recuperadas pelo cristianismo, que começava no dia de Reis (Epifania) e acabava na Quarta-feira de cinzas, às vésperas da Quaresma. Constituía-se de festejos populares provenientes de ritos e costumes pagãos e se caracterizava pela liberdade de expressão e movimento”.

O carnaval talvez seja a única festa universal, depois do reveillon. Ela se caracteriza por bailes, festas, desfiles e corsos transformados em divertimentos públicos e manifestações populares de liberdade.

No Brasil, o carnaval deve ter começado por volta do ano de 1723, de lá cara cá sofreu influência do carnaval de vários lugares: dos portugueses das ilhas de Açores, Cabo Verde e Madeira, que o chamavam de Entrudo, vieram o corso e o mela-mela; depois chegaram, vindo da França, as batalhas de confetes e de serpentinas, o uso de máscaras e as fantasias, entre elas a do Pierrô, da Colombina e do Alecrim.
Mas, graças à imaginação do brasileiro, nosso carnaval criou um estilo próprio que o tornou mundialmente conhecido e visitado por turista do mundo inteiro.

O Carnaval é, sem dúvida, a maior festa popular do Brasil. É festejado durante os quatro dias que precedem a quarta-feira de cinzas. Embora em cada estado exista um carnaval fora destes dias, que começou na Bahia quando os baianos começaram a brincar também na quinta-feira da terceira semana da Quaresma, dando o nome para esta festa de Micareta, que deu origem a várias outras nos estados do Nordeste, todas com característica baiana: axé music, abadás, pipocas e a presença indispensável dos Trios Elétricos.

Realizadas no decorrer do ano elas começam em Fortaleza com o Fortal; em Natal, com Carnatal; em João Pessoa, com a Micaroa; em Campina Grande, com a Micarande; em Maceió, com o Carnaval Fest; em Caruaru, com o Micarú; em Recife, com o Recifolia, e em Teresina, a Micarina.

O carnaval no Brasil, ao longo do tempo, tem sofrido uma metamorfose, os mais velhos que o digam. O espírito do carnaval, sem querer fazer trocadilho, parece que baixou noutro terreiro. Já foi o tempo que o carnaval era somente folia, prazer, alegria, descontração e principalmente uma brincadeira. Era costume dizer: vou brincar o carnaval.

Segundo a escritora Betty Milan, autora do livro Os bastidores do Carnaval: “o carnaval faz parte da cultura do brincar que, por sua vez, faz parte de uma cultura do riso datada da Renascença, a chamada cultura rabelaisiana ou da praça popular”. Mais na frente, ela conclui: “a cultura macunaimica e antropofágica do brincar, de tão nacional, não precisa ser contrária ao estrangeiro, não é nacionalista porque ela é indiscutivelmente universal”.

Rachel de Queiroz expressa, com maestria, o espírito “do brincar” numa de suas crônicas: “Os pequenos blocos de foliões, de cara pintada, batendo os seus ganzás pelas ruas da cidade… Em geral esses grupos eram formados por habitantes de um quarteirão ou pouco mais, conhecidos de sempre, e que a folia carnavalesca, umas garrafas de cerveja e uns vidros de lança-perfume, davam animação suficiente para que, desinibidos enfrentassem a rua, os passantes curiosos e até outros grupos rivais.”

A verdade é que o carnaval mudou, opinião corroborada pela escritora Lygia Fagundes Telles “Ligo a televisão. Plumas, pedrarias, dourados – é o desfile do carnaval milionário. Os holofotes estão tontos, tonto o cinegrafista porque os apelos são excessivos, tudo é importante …”. Focalizar o passista, não perder a mulata que já vem vindo quase nua, tem que mostrar a fantasia de estrela, os Lamês e lantejoulas, os seios, o ventre, o traseiro, tudo. “Foca na Prochasca” dizia o reporter…

Para o cantor e compositor Paulinho da Viola “O Carnaval mudou, os desfiles privilegiam o espetáculo visual em detrimento do samba, do ritmo e do povo cantando”.

É uma pena não termos mais uma Chiquinha Gonzaga para criar músicas para carnaval. Chega de competição! “Abram alas” para a alegria, para brincadeira e fechem as portas dos cofres da tesouraria dos empresário da Sapucaí.

by CHA

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