Opinião: “Santo Agostinho estava certo”

País enfrenta um combinado de crises (Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo)

O momento que o Brasil vive é muito delicado. Sem querer ser pessimista, mas ao mesmo tempo sendo (na verdade realista), é preciso reconhecer que o País está à beira da bancarrota. Temos um combinado de graves crises: política, econômica, sanitária, ética e moral. Crises fazem parte da história das nações, elas vêm e vão, mas essa combinação não é nada alentadora

Por incrível que pareça, a crise sanitária, a que mais preocupa no momento, é a que talvez tenha um fim mais próximo. A que podemos respirar fundo e dizer: tá difícil, mas logo vai passar. Já as outras não! As outras são resultado de um processo de degradação que não vem de agora. Quando nos livrarmos da pandemia da Covid-19, ainda teremos que enfrentar todas as demais.

O estremecimento político, o radicalismo e a escalada do ódio são problemas graves que o Brasil vai precisar conviver. Pelo que temos visto desde meados de 2014, esse Fla x Flu não vai acabar tão cedo, embora nossa sensatez ainda alimente dentro de nós a esperança de que voltaremos aos tempos de paz política o mais breve possível. Ter esperança é algo positivo.

Nesse cenário, o que mais preocupa é convicção dos radicais, a foba dos insanos e a disposição dos desalmados. Esse tipo de gente reúne todas as características que degradam um ser humano, mas mesmo assim bradam com a certeza de estarem certos e de serem absolutos. Não passam, a bem da verdade, de cegos, dominados pela pior das cegueiras.

Santo Agostinho dizia que “tão cegos são os homens, que chegam a gloriar-se da própria cegueira”. Trazendo para o contexto brasileiro atual, a constatação reflete a realidade política do País. Vale para radicais admiradores e para certas figuras por eles admiradas. A cegueira transformou até mesmo pessoas outrora sensatas em seres tacanhos.

Nesse cenário, uns se deixam usar como massa de manobra (e ainda orgulham-se disso) e outros usam os fanáticos. Os que usam, muitas vezes, também ficam cegos e todos acabam vivendo na mesma bolha. Santo Agostinho também definia bem essa situação ao dizer que “o homem que se sente especial e grandioso é, na verdade, um cego, pois as honras que recebe, sempre de outros cegos, ampliam cada vez mais sua cegueira”.

No Brasil de hoje, vemos tanta gente se cobrindo com nossa bandeira e fobando-se da própria cegueira. Dividem o país, desacreditam instituições, contestam a ciência e reverberam arrogância para bajular quem se sustenta na cegueira alheia. As vezes é ignorância, falta de informação, mas muitas vezes é a cegueira nociva de quem briga para não enxergar. 

Por:Gustavo Almeida, jornalista

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