Opinião:”Jornalismo de conveniência”

Deputado André Ciciliano, do PT, é o campeão das “rachadinhas” na Alerj. Sozinho movimento R$ 49,3 milhões, mas seu processo anda em sigilo de Justiça.

Por:José Olímpio

A cobertura do caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de janeiro, investigado pelo Ministério Público Estadual, é um exemplo emblemático do jornalismo de conveniência que a grande imprensa faz no Brasil.

Pelo que foi divulgado no início das investigações, 20 parlamentares da Alerj estão envolvidos no escândalo, mas os meios de comunicação, curiosamente, só divulgam o nome do ex-deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro.

Não se trata aqui de defender este ou aquele envolvido nessa maracutaia, mas de exigir que todos recebam o mesmo tratamento da mídia e que a Justiça seja feita, alcançando não apenas um dos envolvidos por causa de seu sobrenome, mas a todos que participaram do esquema das “rachadinhas”, indistintamente.

Da forma como as coisas estão sendo conduzidas, tem-se a impressão de que as investigações tinham por objetivo pegar apenas o filho do presidente, mas ai descobriram que muitos parlamentares da esquerda estavam enfiados no escândalo até a medula.

Começou então uma operação, envolvendo a imprensa e as autoridades, no sentido de blindar os demais envolvidos, fixando-se apenas no nome de Flávio Bolsonaro, que era desde o princípio o objetivo das investigações com o fito, indiscutível, de atingir a imagem do presidente Jair Bolsonaro.

A mídia e as autoridades adotaram a política dos dois pesos e duas medidas. Preservaram a imagem de 19 parlamentares que movimentaram valores infinitamente maiores que Flávio Bolsonaro, como o André Ciciliano (PT), que aparece no topo da lista com R$ 49,3 milhões, e Paulo Ramos (PDT), com R$ 30,3 milhões, e centram fogo no filho do presidente.

Fazem parte da lista do COAF, além dos dois já citados, Márcio Pacheco (PDT), com R$ 25,3 milhões; Luiz Martins (PDT), R$ 18,5 milhões; Dr. Deodalto (DEM), com R$ 16,3 milhões; Carlos Minc (PSB), com R$ 16 milhões; Coronel Jairo (SD), com R$ 10,2 milhões; Marcos Muller (PHS), com R$ 7,8 milhões; Luiz Paulo (PSDB), com R$ 7,1 milhões; Tio Carlos (SD), com R$ 4,3 milhões; Pedro Augusto (SD), com R$ 4,1 milhões; Átila Nunes (MDB), com R$ 2,2 milhões; Iranildo Campos (SD), com R$ 2,2 milhões; Márcia Giovani, com R$ 2,1 milhões; Jorge Picciane (MDB), com R$ 1,7 milhões; Eliomar Coelho (MDB), R$ 1,7 milhão; FLÁVIO BOLSONARO (PSL), com R$ 1, 3 milhão; Waldeck Carneiro (PT), com R$ 0,7 milhão; Benedito Alves (PT), R$ 0,5 milhão; e Marcos Abrahão (Avante), com 0,3 milhão.

Os dois primeiros da lista, juntos, movimentaram R$ 79,6 milhões, mas o MP-RJ e a imprensa nada divulgam sobre o petista André Ciciliano e o pedetista Márcio Pacheco, os campeões da “rachadinha”. Por que será? Certamente não é por zelo com o sigilo do processo, pois se fosse a mídia não estaria divulgando todo santo dia uma nova “informação” sobre o processo de Flávio Bolsonaro.

Esse negócio de “rachadinha” é uma sacanagem que acontece em todas as casas legislativas deste pais e deve ser combatida rigorosamente. Desde a Câmara Municipal do mais paupérrimo município, passando pelas assembleias legislativas e chegando até os luxuosos gabinetes do parlamento em Brasília, com raríssimas e honrosas exceções.

O Ministério Público de cada estado deveria encarar essa tarefa de investigar os parlamentos estaduais e municipais e fazer uma limpeza em regra levando às barras dos tribunais vereadores e deputados que adotam essa prática condenável e criminosa. A faxina deveria alcançar também as duas casas do Congresso Nacional, já ai por meio do MPF e da Polícia Federal.

No entanto, não creio que isso algum dia venha a acontecer e se viesse haveria sempre o risco de investigações direcionadas, seletivas, como no caso do Rio de Janeiro, para atender a interesses subalternos dos poderosos chefões.

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