Meta de alfabetizar 200 mil anunciada por Wellington é insuficiente

Cercado de assessores, entre eles o secretário de Educação, Ellen Gera, e o superintendente Herbert Buenos Aires, o governador Wellington Dias (PT) anuncia um ambicioso plano de alfabetização a ser implementado nos próximos dois anos. Ele afirma que pretende trabalhar pela alfabetização de 200 mil jovens e adultos. “Temos um desafio de nos próximos dois anos alfabetizar mais de 200 mil piauienses maiores de 15 anos que ainda não são alfabetizados”, contou o secretário.

Na prática, o chefe do Executivo estimula uma série de reflexões sobre sua atuação frente ao Governo do Estado. Perto de completar 16 anos à frente da administração estadual, é curioso que ainda haja tanta gente a ser alfabetizada. É preocupante, ainda, que até o presente momento o Governo não tenha se preocupado com esse assunto tão importante para o desenvolvimento de qualquer comunidade. O plano será executado em dois anos. Curiosamente, é mais ou menos o que falta para o fim do atual mandato. Mas é também o tempo que falta para as eleições de 2022.

Chama atenção, ainda, o fato de que não é de hoje que os organismos nacionais alertam para a precária situação do piauiense no tocante à alfabetização. Somos o segundo estado com maior índice de analfabetos no Brasil, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ressalte-se que o Governo em seu noticiário incondizente tenta sempre empurrar para o terceiro lugar. Seria uma forma de galgar mais uma posição sem o devido mérito. É como querer entrar no céu à força. O governador anuncia alfabetizar 200 mil piauienses. O Piauí conta com cerca de 600 mil que não sabem ler ou escrever. E aqueles que sabem ler e escrever não conseguem interpretar um texto simples de apenas cinco linhas.

Muitas cabeças coroadas do PT passaram pela educação estadual, a começar pelo célebre sociólogo, professor universtário e escritor Antonio José Medeiros. Difícil entender como ele, um socialista jurássico, não tenha se apercebido, em momento anterior, dessa necessidade de fazer um grande programa de alfabetização. Logo em seguida foi a primeira-dama Rejane Dias, que frente ao cargo, assim como seu antecessor, conseguiu se eleger deputada federal, depois de passar uma breve temporada na Assembleia Legislativa.

Trocando em miúdos: nos governos de Wellington Dias, a Seduc sempre foi um trampolim para a Câmara Federal. Mas é preciso seguir adiante na análise – e na denúncia. Cada vez mais, diante do anúncio do governador, os órgãos de fiscalização e controle (Ministério Público estadual e federal, TCE/PI – Tribunal de Contas do Estado do Piauí, Controladoria Geral do Estado) devem ficar atentos. Esse informe pode esconder um outro propósito, evidenciado em programas anteriores de formação e qualificação de jovens e adultos.(Toni Rodrigues)

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