Pandemia e retorno às aulas presenciais

Diante do colapso sanitário, do crescimento do número de mortos e contagiados pela covid-19, quinze redes estaduais de educação anunciam retorno às aulas. Cientistas e profissionais da educação são contra

O neurocientista Miguel Nicolelis é o responsável pela coordenação do controle da pandemia no Consórcio Nordeste (rede dos governadores do Nordeste que agem de modo coordenado na aplicação de várias políticas públicas para a região. Em seu perfil no Twitter, Nicolelis foi peremptório sobre a atual situação do Brasil na pandemia. O neurocientista afirmou ontem que: sem lockdown a situação do país será uma catástrofe.

Mesmo diante desta análise, quinze redes públicas estaduais anunciaram a retomada das atividades presenciais para este ano, a maioria entre os meses de fevereiro e março. Em São Paulo, o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, anunciou o retorno para 1 de fevereiro.

Pesquisador da Fiocruz diz ser “contrassenso” abrir escolas sem vacinação

A avaliação de Nicolelis não é isolada. Em entrevista nesta manhã (05/01), para a rádio Bandeirantes, Rivaldo Venâncio, pesquisador da Fiocruz, afirmou ser um “contrassenso querer reabrir escolas sem vacinar alunos e professores:

“Não tenho dúvida que o ideal seria fechar as escolas. Não temos elementos para sugerir a reabertura da rede escolar agora, por maiores que sejam os transtornos do ponto de vista emocional, psicológico e social nas crianças. Do ponto de vista de cautela, precaução, precisamos ter maturidade e serenidade”, afirma Venâncio. O pesquisador alertou ainda que: “Nenhuma das vacinas atualmente em desenvolvimento foi testada em crianças. Em um primeiro momento, pelo menos até julho ou agosto, elas não devem ser imunizadas.”

Venâncio critica ainda o fato de os professores serem colocados no final da lista de prioridades: “Esse conjunto de trabalhadores deve ser imunizado a partir de maio ou junho. Como vamos reiniciar as aulas agora? Parece um contrassenso”, completou o pesquisador. (Com informações do Sinte-PI)

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