A Praça dos poetas e a reação de um jornalista: “Eu era poeta e não sabia”

Praça dos Poetas – Parnaíba

Os blogs divulgaram, há poucos dias, que “um grupo de artistas, escritores e de outras categorias ligadas à cultura iniciou um movimento nas redes sociais e deve dentro de mais alguns dias entregar ao secretário de Cultura Arlindo Leão, um pedido para que aquele espaço ´- no centro da praça (dos poetas) original, tenha uma melhor utilidade”.

Desde sua construção a praça nunca foi realmente utilizada pelos poetas, como era de se imaginar. E olha que Parnaíba é uma terra cheia de poetas, intelectuais, acadêmicos, imortais & etc. Enfim, deixaram sem utilidade um grande espaço que poderia ser um centro comercial, ou o Shopping dos Camelôs, como sonhou o ex-prefeito Florentino Neto, que teve seu projeto “melado” pelo IPHAN (ou infame?).

Mas, para ilustrar, o assunto me traz à memória o dia da inauguração da Praça dos Poetas. Era prefeito o médico Paulo Eudes. Secretária de Cultura, se não nos falha a memória, era a promotora de justiça aposentada Maria do Amparo Coelho. Lá comparecemos, acompanhados do jornalista Rubem Freitas. Enquanto organizavam a solenidade, banda de música tocando, saímos – Rubem e eu – a circular na praça, olhando aquelas estruturas, uma espécie de “púlpitos”, onde em cada uma havia uma poesia exposta, com o nome do seu respectivo autor. De repente Rubem nos chama, com a voz um tanto elevada: “B. Silva, vem cá. Olha, este aqui sou eu. Engraçado, eu era poeta e não sabia”.

Resumo da ópera: Certamente não consultaram os poetas antes de construírem a praça. E certamente não os comunicaram que teriam seus trabalhos expostos. Claro que alguns dos poetas ali homenageados já estavam mortos. Mas existiam os vivos. E Rubem Freitas disse que nunca foi poeta. Escreveu alguma coisa no estilo quando era ainda bastante jovem mas nem sabia ou nem lembrava que  havia sido publicada. E o transformaram num poeta, cujo poema, como os demais o tempo apagou. Só restaram as estruturas que não servem para coisa alguma. (Por: B. Silva)

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