Facções “Bonde dos 40” e “PCC” espalham pichações por Teresina; Polícia sabe aonde eles estão?

Atualmente, pelo menos duas organizações criminosas estão ramificadas no Piauí, segundo levantamentos da  Secretaria de Segurança Pública do Estado. A reportagem do OitoMeia apurou junto às autoridades policiais e fontes a respeito o surgimento dessas facções, aonde elas estão e como estão instaladas. Além de, é claro, tentar identificar os riscos para a população.

Não é difícil encontrar pelas ruas de Teresina muros com as pichações: “B40” ou “PCC”. Especula-se que há regiões dominadas pelo tráfico em toda a capital e que já estaria se espalhando por algumas cidades do interior do estado. Entretanto, a Secretaria Estadual de Segurança Pública nega esse suposto domínio e informa que não pode dar muitos detalhes. Garante que há “total controle” da situação.

Pichações pelas ruas de Teresina incluem recados ameaçadores como “ande com o vidro abaixado” (Foto: OitoMeia)

A instalação de facções, especialmente vindas de outros estados, tem acontecido em todo o Brasil. Não seria diferente no Piauí. Há evidências da existência de facções como “Bonde dos 40” (a mesma “B40”), do Maranhão, e “PCC” (que significa “Primeiro Comando da Capital”), vinda de São Paulo (SP).  A reportagem do OitoMeia flagrou registros dessas facções em bairros de todas as zonas (Sul, Norte, Sudeste, Leste).

TUDO COMEÇA DENTRO DOS PRESÍDIOS

Segundo o delegado Carlos César Carvalho, diretor de Inteligência Estratégica da Secretaria de Segurança Pública, no Piauí, como no restante do país, o início das facções também se deu dentro dos presídios, com a prisão de indivíduos faccionados de outros estados, seja naturais desses estados, sejam piauienses que migraram. Segundo ele, geralmente por lá (nos presídios) passaram a integrar facções e depois retornaram para o Piauí. Uma vez dentro dos presídios passaram a disseminar a “ideologia” criminosa e passaram a cooptar novos membros. Ele afirma que pelo menos duas facções estão bem definidas no estado, existindo ainda outros grupos criminosos, mas com um menor número de membros.

“Quanto ao número de facções, temos basicamente duas. A maior é oriunda do estado do São Paulo [PCC] e a outra, de menor número, advém da capital maranhense, São Luís, [Bonde dos 40]. Essas duas Orcrims (Organizações criminosas) estão bem definidas na nossa capital e com membros pelo interior do Estado. Eventualmente, há registro de criminosos membros de outras facções brasileiras atuando no estado do Piauí, mas sem que a Secretaria de Segurança considere como uma atuação relevante dessas outras facções”, explicou o delegado.

Para Carlos César, esses grupos representam um dos maiores problemas da segurança pública no Piauí, como em todo o País. Para ele, o maior problema da segurança pública em todo o país é avanço dessas facções criminosas. “Nada mais são do que organizações criminosas com origens nos presídios brasileiros que cresceram nos intramuros dos presídios e depois se irradiaram para fora desses presídios, praticando crimes de tráfico de entorpecentes, roubos, homicídios e etc”. Questionado se há um monitoramento, algum tipo de identificação de onde estão os membros desses grupos criminosos, ele prefere dizer que há um trabalho de controle da Polícia que faz com que se chegue aos acusados. Além disso, as diversas operações deflagradas recentemente são no intuito de desbaratar esses criminosos.

Delegado Carlos César Carvalho, diretor de Inteligência Estratégica da Secretaria de Segurança Pública (Foto: Reprodução redes sociais). (Fonte: OitoMeia)

 

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