Síndrome pós-Covid:10% dos infectados relatam sequelas que vão da queda de cabelo à perda de memória

Imagine você sentar à mesa para tomar um café e não sentir o mesmo sabor dos alimentos. Ou fazer uma refeição sem que os alimentos tenham “cheiro agradável”. Imagine ainda não saber distinguir os aromas dos perfumes ou identificar o perigo através do oltafo. Para dentista Debora Marques, 33 anos, essas suposições se fizeram presentes logo após ela se recuperar da Covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um em cada dez pacientes acometido pelo vírus relata casos de síndromes pós-infecção

Débora, no entanto, não está sozinha. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um em cada dez pacientes acometido pelo vírus relata casos de síndromes pós-infecção. No Brasil,  a estimativa é que as sequelas deixadas pelo Sars-CoV-2 já atingem 1,4 milhão de pessoas. No Ceará, seriam pelo menos  67 mil cearenses. Essas síndromes são variadas e vão bem mais além da perda do olfato ou paladar. 

O médico cardiologista Rafael Macêdo, enumera que dentre os quadros identificados em alguns pacientes pós-Covid, estão o infarto, arritmia, depressão, perda de memória, falta de ar, dificuldade de raciocínio, fadiga e dores intensas, diarreia crônica, perda de cabelo e distúrbios de pele. “Podem se prolongar por meses”, alerta o especialista

“Tive queda de cabelo bastante significativa, diminuiu 30% do volume normal. Além disso meu olfato nunca mais foi o mesmo. Os cheiros não são como antes, as comidas não têm o mesmo cheiro agradável e os perfumes parecem todos iguais. Alguns alimentos perderam o sabor agradável, o café não tem o mesmo gosto e aroma de antes”.

Debora teve Covid-19 em maio do ano passado, durante o pico da primeira onda. Após se recuperar da doença, teve um  quadro “de fraqueza”, que durou cerca de dois meses, e neste período começou a identificar as sequelas. Além da perda do olfato e paladar, quase um ano após ter contraído a infecção, Debora ainda se queixa “do esquecimento frequente no dia a dia”. “Não procurei um médico. Achava que era coisa da minha cabeça”, revela. (André Costa)

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