Tabuleiros Litorâneos: “Transformar Parnaíba numa nova Petrolina” é só um discurso demagogo

(*) BERNARDO SILVA

Há 15 dias realizamos uma “live” com os produtores irrigantes do Projeto de Irrigação Tabuleiros Litorâneos (DitalpI) Josenilto Lacerda e José Florindo Neto – o Bebeto, este último presidente da Associação dos Irrigantes do Projeto. Muita coisa preocupante foi dita, inclusve da possibilidade do Ditalpi fechar, o que representaria a perda de 4 mil empregos, diretos e indiretos, ali gerados atualmente. Tudo por conta da execução de uma dívida de energia elétrica, junto à Equatorial, superior a 6 milhões e meio de reais. “Não temos como pagar. Mesmo vendendo o restante do nosso patrimônio não temos como arcar com a dívida” – disseram os produtores, afirmando que o Distrito não tem Patrimônio e tudo o que recebe, paga. “É a falência dos Tabuleiros e de muitos Irrigantes”.

O silêncio em torno deste assunto foi constangedor. Nenhum político se manifestou. Nem mesmo a Câmara Municipal propondo suas “audiências públicas” se manifestou.Isso porque o risco é grande de acabarem os Tabuleiros, assim como deixaram praticamente acabar com a EMBRAPA, sob as vistas da nossa sonolenta classe política.

NOVA PETROLINA?

A produção dos Tabuleiros Litorâneos representa somente pouco mais de 0,5% do que é produzido no Vale do São Francisco (região de Petrolina)

“Vamos transformar Parnaíba numa nova Petrolina”. Desde 2017 ouvimos esta frase. Primeiro dita pelo prefeito Mão Santa. Agora mais recentemente repetida pelo Presidente Bolsonaro. Tudo demagogia

“Há 7 anos que não há dinheiro no orçamento federal para os Tabuleiros. A 2ª etapa tem 83% executada. E o que precisa é de 150 milhões de reais. E esse governo (Bolsonaro) só colocou dinheiro para uma ponte (para a Pedra do Sal), que não tem a importância sócio-econômica dos Tabuleiros” – disse o irrigante Josenilton Lacerda

Ele acha que nunca Parnaíba chegará ter a produção de uma Petrolina. “Lá houve um engajamento das pessoas. As lideranças política são fortes. Aqui, que poderíamos estar produzindo 10 veses mais do que se produz atualmente, não há junção de forças. As lideranças sempre que são chamadas vão, mas depois dão um passo atrás. Não há continuidade. Os Tabuleiros têm servido muito é de palanque. No que tange a preocupação na elaboração de políticas públicas, até agora quase nada. Só muita mídia e pouco resultado”, disse Lacerda.

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