Pandemia faz piauiense reduzir expectativa de vida em quase 1,5 ano, aponta estudo

A pandemia da Covid-19, que já causou mais de 6 mil mortes no Piauí, também roubou sozinha pelo menos quase um ano e meio da expectativa de vida do piauiense. É o que aponta um estudo coordenado pela pesquisadora brasileira Marcia Castro, do Departamento de Saúde Global e População da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard.

No geral, a expectativa de vida da população do estado caiu de 71,6 anos em 2019 para 70,15 em 2021. Em outras palavras, uma pessoa comum que antes teria a esperança de vida de pelo menos 71 anos e seis meses, agora viverá em média 70 anos. Com isso, a esperança de longevidade retornou ao patamar semelhante a taxa de 2015 (70,9) e interrompe um ciclo de crescimento da expectativa de vida regional.

DISCUSSÕES POLÍTICAS PESARAM

O Piauí junto de outras estados do Nordeste, foi um dos que registrou menor redução. O Norte, porém, foi a região mais afetada. Lá, as piores situações são a do Amapá (com redução de 3,62 anos), de Roraima (recuo de 3,43) e do Amazonas (menos 3,28). O estudo também aponta que a região Sul e Sudeste não sofreram alterações acentuadas. Mesmo assim, em estados com São Paulo, a perda deve chegar a 2,17 anos.

Para o pesquisador em Saúde da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Emídio Matos, esperava-se que o Nordeste acompanhasse a redução identificada no Norte, pois historicamente os indicadores de saúde entre ambos são semelhantes. Segundo o professor, as diferentes estatísticas entre as regiões refletem a desigualdade social no Brasil. Entretanto, neste caso as decisões políticas também pesaram. Na avaliação do professor, o cenário está relacionado com decisões de seus governantes no que diz respeito às medidas de contenção e combate à pandemia.

“O fato do Nordeste ter formado um Comitê Científico, ter se baseado em evidências refletiu nessa menor redução da expectativa de vida, diferentemente do restante que seguiu orientação do Governo Federal”, pontuou.

Atualmente, o Piauí conta com o Comitê de Operações Emergências (COE), composto por pesquisadores, profissionais e autoridades da área da saúde a quem o governador Wellington Dias (PT) consulta para afrouxar ou intensificar a flexibilidade do comércio e medidas de isolamento social. O chefe do Executivo piauiense também é presidente do Consórcio Nordeste, cujo segue também com equipe especializada. Por outro lado, a maioria dos gestores da região Norte são apoiadores do Governo Federal e tomaram decisões alinhadas às da Presidência.

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