A dupla Ciro Nogueira-Arthur Lira não brinca em serviço

Lira e Nogueira

Por Alex Solnik, jornalista, no 247

A dupla Ciro-Lira não brinca em serviço. Seu poder tem aumentado na mesma medida em que Bolsonaro vem perdendo poder. 

Depois de 7/9, quando jogou todas as fichas na mesa, o presidente ficou sem cacife. 

Escancarou que suas ameaças de golpe eram blefe. E que o Exército não era “seu”, mas do estado. 

Admitiu que tem que dividir o poder com o STF e com o Congresso. Deixou os seguidores, que acreditaram na sua proteção divina, com a brocha na mão. 

Ficou, mais ou menos, na situação do José do Carlos Drummond de Andrade. Ficou sem discurso. A cada nova pesquisa seu horizonte para 22 fica mais estreito. A continuidade no poder é um sonho distante. 

Tal como ocorreu entre 1831, quando D.Pedro I, enxotado do Brasil, deixou aqui seu filho, Pedro de Alcântara, de seis anos, e 1840, quando completou 15, o país está sendo governado por uma regência, já que alguém tem de governar. 

A regência Ciro-Lira.

Empolgada com os 310 votos pela convocação do ministro Paulo Guedes ao plenário da Câmara, onde dificilmente escapará da degola, a dupla agora pressiona para emplacar o novo ministro do STF, dando por favas contadas que Mendonça não descerá do telhado. 

O indicado dos regentes, Alexandre Cordeiro, atual presidente do Cade, é repudiado pela bancada evangélica, principalmente por Silas Malafaia, que nem político é, mas apita no governo. 

E garante que Bolsonaro não vai escolher quem os evangélicos não quiserem.No frigir dos ovos, ou dos votos, Bolsonaro vai ter de optar entre aqueles a quem prometeu o STF e os que podem salvá-lo ou jogá-lo no impeachment. Faltam 32 votos.    

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