A viúva paga a conta

Por:
Pádua Marques(*)
Já era de se esperar. No final do mês passado, no
apagar de janeiro e que ainda está de brasas mornas feito fogueira em arribada
de tropas finalmente autoridades piauienses e maranhenses chegaram a um acordo
sobre o pagamento dos pacientes com câncer que atravessam o Parnaíba de lá pra
cá em busca de tratamento. Esta pendenga já vinha se arrastando e quase já era
dada como certa uma guerra entre as duas superpotências. O Maranhão, mais pobre
e sem condições, empurrava seus doentes pra o lado do Piauí.
Nessa situação estava a capital Teresina e a nossa
boa samaritana, imaculada, protetora de
tudo e de todos, Parnaíba, esta terra prometida e que não tem nem pra ela. Uma excelente
madrasta, mas uma péssima mãe. Somente em despesas com doentes da terra de José
Sarney a Parnaíba pagava mais de um milhão e trezentos mil reais. Eram pra mais
de trinta municípios de nossa fronteira que vinham em busca de tratamento nos nossos
hospitais. Esse assunto já até foi tratado em outro artigo recente.
Na reunião havida em Brasília e da qual participaram
o secretário de Saúde de Teresina e o representante da sua colega pelo lado do
Maranhão, bem dito, representante porque o titular nem pisou lá na sala. Mas
acabou no final se chegando a uma conclusão: o Ministério da Saúde, a viúva, o
Governo Federal, vai pagar toda a conta acumulada. O Maranhão só reconheceu uma
dívida de, acreditem na piada, R$ 25 mil! Mas pra evitar um bate boca em porta
de vizinho o Piauí aceitou receber o devido em parcelas.
Melhor do que nada. E assim o Maranhão vai continuar
certamente mandando seus doentes pro outro lado do Parnaíba, a capital
Teresina, a mãezona Parnaíba e Floriano, essa cidade tão acanhada e ao mesmo
tempo tão acolhedora e onde tenho vários amigos. O Maranhão vai ficar igual
aquele filho do meio de uma família bem grande, que embora tenha tido as mesmas
oportunidades que os outros irmãos, achou de se achar miserável pra ir
passando.
E assim, nessa fama de bonito, de elegante, foi
saindo pelo mundo emprenhando mulher e menina confiante na burra cheia do pai
ou da mãe viúva. E quando é chamado a prestar contas de sua falta de juízo vem
com o rabo entre as pernas feito cachorro quando pra ele se bate o pé. Não é
comigo, estou sem dinheiro, tenha pena de mim, não me deram chances e outra
centena de desculpas pra não assumir responsabilidades. E o pagamento, no caso
do Maranhão, acaba saindo pela burra farta da viúva que é o Governo Federal.
Certo mesmo é que esta dívida com despesas médicas
de pacientes com câncer ou outros tratamentos de gente vinda do Maranhão deixa
um rombo na fortuna do Governo Federal. E o Maranhão vai continuar mandando sua
gente pra cá feito aquele filho desajustado que anda correndo o mundo e depois
mandando os filhos das amantes pra mãe criar. Mande lá pra casa que mamãe gosta
de menino. E a casa vai enchendo deles.
E lá vão eles tomando conta da casa, enchendo a cozinha,
mexendo nos tachos e na  louça, nas
salas, desarrumando as cadeiras e os tapetes. No terreiro com sua algazarra vão
fazendo traquinagens, virando bunda canastra. Vão incomodar na cozinha e até nos
jardins dos outros vizinhos. E a viúva em vista do mal feito vai pagando a
conta enquanto o pai irresponsável vai reclamando e se queixando da vida.

Este pai que não gosta de seus filhos porque não
lhes dá meios de se tratarem em casa. Nunca procurou uma escola pra levar um
menino desses. Certamente que esses meninos vão se criar feito bicho bruto, sem
saber assinar o nome, sem saber nada e nem ao menos saber se defender das
adversidades. Porque o governo quer seja estadual, federal ou municipal que não
cuida de seus cidadãos não tem autoridade. E esses meninos vão ser criados sem
mãe, apanhando de um aqui, dando noutro mais adiante, comendo hoje, passando
fome amanhã.
E um dia, se tiverem sorte, vão chegar à casa da
avó, a grande viúva, pra que ela pague a conta de suas peraltices. Porque o
exemplo veio de dentro de casa, de um pai que não teve pulso, não se calculou,
foi irresponsável ao ponto de deixar com os vizinhos a missão de ter com eles
cuidados. E a viúva acaba sendo aquela que sempre está disposta a receber em
casa os netos vindos de todos os lados. Assim é a situação criada pelos pacientes
vindos do Maranhão. Vão pra lá que na casa da mamãe tem lugar pra todo mundo
(*)Pádua
Marque é jornalista e escritor

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