A cidade que se enxerga não é a cidade que se vê!!!

 Por:Fernando Gomes(*)
Pode parecer somente uma questão
semântica, mas não é. Porém, enxergar e ver guardam diferenças essenciais e
trazem uma tradução marcante na interpretação de um contexto. Diferença há em
olhar e enxergar, muitos olham, mas não enxergam. Ver é conhecer ou perceber
pela visão; olhar para; contemplar. Enxergar é perceber, observar, entender.
Como estamos vendo nossa cidade? Como a enxergamos?
Fiz esse exercício ao participar na
semana passada de um marcante evento promovido pelo SEBRE, “I Salão de Turismo
da Rota das Emoções” que reuniu aqui em Parnaíba representantes dos 14
municípios deste importante circuito nacional que envolve os destinos de
Jericoacoara, Delta do Parnaíba e Lençóis Maranhenses.
Guardada a importância do evento,
tivemos os mesmos efeitos, defeitos e desfechos de tantos outros bem planejados,
mas que não trazem resultado prático naquilo que se deseja intervir. Talvez
pela pouca participação social. Discussões de tão alta relevância deveriam ser
mais trabalhadas a mobilização e a sensibilização da sociedade para que
frutificasse o hábito de contribuir na construção de políticas públicas.
Vi
uma palestra do prefeito de Parnaíba, Florentino Neto, que discorreu a uma
plateia diminuta (não foi só a dele, vários momentos importantes com pouca
presença) e tratou sobre o papel das prefeituras piauienses no desenvolvimento
regional da Rota das Emoções. Falou de eficiência administrativa e fiscal,
enaltecendo que o município de Parnaíba está numa situação privilegiada, pois
não há passivo trabalhista, contas rigorosamente em dias, citou que faz
processos licitatórios com transmissão em tempo real o que assegura
transparência absoluta dos certames.
Esses
aspectos conferem à sua gestão estar entre um dos poucos municípios brasileiros
a ter condições de investimentos. Bom, muito bom. Não parece é que esta
realidade fiscal e financeira se traduza em melhorias dos serviços públicos em
nosso meio.
Parnaíba
recebe mensalmente cerca de R$ 19 milhões composto por receitas tributárias,
patrimoniais, transferências correntes de FPM, Saúde, FUNDEB, IPVA, ICMS,
contribuições e outras receitas
intra orçamentárias. Numa conta rápida, passados 10 meses do atual governo
soma-se algo em torno de R$ 190 milhões. E o que vemos e enxergamos de
benefício à sociedade?
Estamos vendo uma administração “zelosa e
competente”, mas não se enxerga isso na gestão. Ainda carecemos de transporte
público de qualidade; comemos carne sem inspeção sanitária; nossos jovens
amargam a falta de uma política que os identifique e valorize; praças e
logradouros públicos sem cuidado; 
bairros periféricos sem serviços básicos de saúde e educação de
qualidade; dentre outras mazelas.
O município está anunciando se habilitar para a
gestão da política de meio ambiente, o que vai lhe conferir a possibilidade de
realizar os procedimentos de licenciamento ambiental, aumentando ainda mais a
receita própria. Parece ser este o verdadeiro fim. Os requisitos necessários ainda
não estão supridos, ou seja, não temos um código ambiental, apesar do projeto
tramitar há 3 anos na Câmara Municipal; não dispomos de um Conselho Municipal
de Meio Ambiente efetivo; não temos um quadro técnico especializado e
capacitado para tanto; não tem um fundo constituído, assegurando-se recursos
para a implementação das ações previstas no próprio orçamento da pasta.
Vemos uma coisa e enxergamos outra!!!
Um
modelo que se vangloria dos feitos apontados, mas que é incapaz de promover o
bem-estar social. O que é prioridade para este governo? A quem beneficiar
efetivamente? Uma discussão que se perde na falta de essência. Igual que a
discussão sobre os massacres na Síria. Enquanto se polemiza sobre o uso de
armas químicas que provocou a morte de cerca de 1.300 pessoas inocentes, não se
discute que ao longo de toda essa absurda guerra civil já tombaram mais de 100
mil sírios. O que é pior? Não se trata de medir a forma de execução ou o medo
das potências mundiais em experimentar desta atrocidade, o que deve se buscar é
a paz.
Logo,
importante o município ter saúde financeira, mas que cuide dos seus filhos!!!
(*)Fernando
Gomes é sociólogo, eleitor, cidadão e contribuinte parnaibano

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