Repete-se a farsa do horário de verão

 Carlos Chagas
Repete-se uma vez mais a  farsa do horário de verão,  que começou de
ontem para hoje.  A moda vem de muito tempo, primeiro internitente,
depois absoluta. Os relógios foram  adiantados por uma hora, visando
economizar 5% de energia até o final de fevereiro.
Quer dizer, o governo surripia uma hora de sono da população. Da
população? Nem tanto, porque os estados do Nordeste e do Norte
insurgiram-se contra a determinação e já não aceitam o horário de verão.
Contestam a autoridade central em defesa de  seus cidadãos. No Sul,
Sudeste e Centro-Oeste, porém, o esbulho acontece com data marcada.
O cidadão que sai cedo para trabalhar, acordando às seis da manhã, ou
antes, precisará acender a luz para escovar os dentes e tomar café.
Vai-se parte da economia dos 5% de energia, ainda que quando chegar em
casa depois do serviço,    o sol  brilhe. Bom para quem mora à beira do
mar, que se não estiver muito cansado ainda poderá arriscar alguns
mergulhos. Mas péssimo até para a unidade nacional, porque se um
indigitado bóia-fria morador  na Bahia colhe café em Minas, sairá de
casa às seis da manhã quando já são sete na roça. Ou chega atrasado ou
acorda às cinco. Na hora de voltar é pior: deixa o trabalho às cinco da
tarde mas já são seis em sua casa, correndo o risco de a mulher acusá-lo
de ficar uma hora bebendo cachaça em vez de vir logo jantar.
O estrago que o horário de verão causa no relógio biológico dos
habitantes das regiões mais populosas do país levará semanas, até mais
de um mês, para ser absorvido. E quando as coisas
estiverem  normalizadas,  repete-se a confusão  com o atraso obrigatório
de outra hora, no relógio mecânico.
Logo que empossado, o  ex-presidente Lula não teve forças ou não quis
acabar com a farsa do horário de verão, dizem até que influenciado pela
sua então ministra de Minas e Energia, partidária dessa economia que,
com todo o respeito, tem sido a base da porcaria. Mas bem que poderia
agora a presidente Dilma dar um basta à  aberração, ao menos para
o último ano de seu mandato.  Interromper essa prática subdesenvolvida e
insistir para que ela  mantenha no segundo mandato como uma de suas
metas principais a geração de mais energia em todo o país. Mais
investimentos em hidrelétricas, por exemplo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *