A AZUL AMARELOU?

Por: Professor Gallas
O comentário do momento em Parnaíba é a retirada dos voos da Companhia Aérea Azul  que desde abril do ano passado  (salvo engano) vinha semanalmente ligando Parnaíba à capital Teresina, a  São Luis, capital do Maranhão e a Fortaleza no Ceará.
Eu ainda me lembro quando eu era  menino, e na companhia de meu pai íamos para Teresina num avião da Varig, um bimotor com capacidade para uns quarenta passageiros. Este avião fazia uma escala em Brejo no Maranhão, onde na casa de passageiros tinha um letreiro que dizia RECREIO DOS VIAJANTES. Ali eram vendidos doces dos mais diversos sabores, mas os que eu mais gostava eram o de bacuri e o de  buriti, frutas originárias da chapada e dos rios ou córregos, muito comuns no Maranhão. Eram  feitos de forma artesanal, mas muitos saborosos. Não levavam os famigerados produtos químicos, como os industrializados de hoje.
Mas voltando ao caso da aviação. Também, já na minha  adolescência, quando estudante em São Luis, viajei por diversas vezes num hirondelle (em francês significa andorinha), um avião turbo hélice da empresa Paraense Transportes Aéreos que semanalmente ligava Parnaíba à capital do Maranhão e consequentemente à capital do Pará. Antes disso,  outras linhas de aviação serviram nossa cidade  com voos regulares .Algumas como a Condor,  a Real Aerovias, a Cruzeiro, a Panair do Brasil – Pan American,  além de teco-tecos de pertencentes a particulares. Tivemos até voos internacionais na rota Nova Iorque /Buenos Aires com escala em Parnaíba,  feitas por hidroavião  da empresa Pan American como narra  o escritor João Tércio Solano Lopes ( irmão do radialista Jaime Lins) no seu livro Parnahyba na história da aviação: “O primeiro voo  de um avião nas cores da Panair Pan American, em Parnaíba, foi realizado no dia 22 de setembro de 1929, ainda com hidroaviões que transportavam cargas e passageiros na linha Nova Iorque – Buenos Aires,  com escala em Parnaíba.” Por  se tratar de um hidroavião, a aterrissagem era nas águas barrentas do Rio Igaraçú. Também no mesmo livro o Tércio narra um acidente com um Convair 340 da Cruzeiro do Sul, acontecido no dia 22 de janeiro de  1963. Esse avião trazia 44 passageiros.
Essas empresas operaram aqui em Parnaíba muito antes da cidade contar com um moderno aeroporto de categoria internacional, com salas de passageiros confortáveis, sem se falar nos sofisticados equipamentos eletrônicos e  tecnológicos que o aeroporto possui. Antes, o antigo aeroporto localizado no bairro Catanduvas, sem essa sofisticação toda que possui o aeroporto internacional João Silva Filho funcionou a contento. E por que  este moderno vai paralisar?  Dizem que é a crise. Mas  que crise é esta, se bares e restaurantes estão superlotados? A gasolina aumenta de preço e aumenta o numero de carros nas ruas. Os trailers, as pizzarias, os quiosques da avenida São Sebastião, lotados  de  segunda a segunda. E nas praias?  Mesmo com a exploração de alguns donos de bares as praias estão lotadas. Assim, a meu ver, não existe crise.
Mas, volto  atrás. A crise existe sim!Uma política. O país está atravessando uma crise  por conta dos roubos e das falcatruas que se instalaram no Brasil por pessoas  nas quais  confiamos para serem nossos representantes e que agora estão mostrando suas verdadeiras faces.   E quanto a nós, o que fazer para que o aeroporto de Parnaíba não venha ser desativado? Acredito que se houver vontade política e interesse das autoridades o problema será solucionado.  E termino com a seguinte pergunta: tem lógica fazer um aeroporto internacional em Cajueiro da Praia e outro em Barra Grande? Não seria jogar fora nosso dinheiro e criar mais elefantes brancos? Com a  palavra o governo do estado ou a quem de direito.

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