Por: Zózimo Tavares
Como funciona a cabeça do eleitor brasileiro? Não é fácil saber. Já fizeram até livro com esse objetivo, porém o eleitor parece mais escorregadio e enigmático a cada eleição. Por exemplo: as pesquisas de opinião pública indicam que 70% dos brasileiros querem mudanças na forma de governar, mas é a presidente Dilma Rousseff (PT) quem lidera a corrida.
Outra: o principal cabo eleitoral da presidente Dilma é o ex-presidente Lula, que, não obstante seu largo prestígio popular, não consegue alavancar a candidatura de seu candidato a governador de São Paulo, o ex-ministro Alexandre Padilha, lançado por ele. O petista não passa de 5% nas pesquisas de intenção de voto na principal base do ex-presidente.
Mais uma: políticos que tiveram seus nomes envolvidos em escândalos como os do mensalão, Anões do Orçamento, Operação Monte Carlo ou mesmo aqueles que foram cassados ou presos por corrupção eleitoral lideram pesquisas de intenção de voto para o governo estadual ou ao Senado em seis Estados: Acre, Pará, Distrito Federal, Bahia, Paraíba e Goiás.
A situação mais emblemática, como destaca a mídia nacional, ocorre no Distrito Federal. O ex-governador José Roberto Arruda (PR), preso em 2010 após determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por envolvimento no escândalo chamado Mensalão do DEM, lidera a corrida ao governo do Distrito Federal.
De acordo com o último levantamento Ibope, Arruda tem 37% das intenções de votos. O atual governador Agnelo Queiroz (PT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) dividem a segunda colocação com 16% das intenções de voto cada. Em vários Estados, outros políticos que tiveram seus nomes envolvidos em falcatruas estão pontuando bem na corrida por cargos proporcionais.
Com esses exemplos, fica difícil entender como o eleitor quer mudanças e como ele abomina a corrupção na vida pública. Se a política é um campo de práticas de contradições e incoerências, então o eleitor, como parte do processo, está apenas exercitando também o seu papel nesse palco de tantas representações corriqueiras e inusitadas.
