Um dos nomes de maior expressão do PSB, partido da base de apoio de Dilma Rousseff, o ex-ministro Ciro Gomes defende a saída da legenda do Governo e afirma que a presidente da República é cercada por uma equipe inacreditavelmente incompetente
Conhecido por seus comentários ácidos e sem meias
palavras, o ex-ministro Ciro Gomes (PSB) não fugiu à regra nesta entrevista que
concedeu para A CRÍTICA durante passagem por Manaus ontem, ao palestrar no X
Encontro de Revendedores de Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniência do
Norte do Brasil.
Ciro, que por
duas vezes foi ministro (Fazenda e Integração Nacional) do governo Lula, disse
que a presidente Dilma Rousseff é mal assessorada e que sua atual equipe
ministerial é “extremamente incompetente”, sendo responsável pela desastrosa
avaliação popular do governo. Confira trechos da entrevista a seguir.
Como o senhor vê as recentes manifestações
e a situação político-econômica do Brasil?
Estamos vivendo
isso, uma crise grave de representatividade, de legitimidade operacional das
instituições, praticamente todas as instituições centrais estão sob crítica.
Isso tudo é um perigo muito grande porque você não satisfaz a população e do
lado da oposição, há um vazio doído de ideias. As pessoas só atacam as
discussões, as contradições, mas não encantam para reformular, a não ser os
valores difusos, que só semeiam uma decepção talvez mais profunda e definitiva
num futuro. Um moralismo difuso como se a corrupção fosse trocar Chico por
Manoel. A gente sabe que não é.
O que o senhor pensa sobre a presidente
Dilma?
Uma boa
presidente, uma pessoa muito boa, muito séria, cercada de uma equipe
inacreditavelmente incompetente, incapaz de até sequer entender do que está
acontecendo. Ela está errando. A equipe de Dilma é de dar dó, de chorar. Em
conversas antigas, tive o privilegio de ser chamado para ser ministro e disse:
com essa equipe não é possível! E não que eu seja grandes coisas, é que a
equipe dela é inacreditavelmente incompetente, tem uma exceção aqui outra ali,
evidentemente. Colocar Ideli Salvatti para liderar a articulação polícia numa
situação como essa é quase insolúvel, como essa que ela entrou? Como Michel
Temer, vice-presidente, Renan Calheiros (Senado), Henrique Alves (Câmara),
Eduardo Cunha (líder do PMDB), se não morrer é porque não foi servido!
O que pensa sobre a pré-candidatura à
presidência, com Eduardo Campos?
Ele é dos
candidatos disparado o mais qualificado, mais experiente. Acho que essa
candidatura, para ser considerada uma alternativa, precisa responder, com
urgência, duas perguntas: por que o partido não teve candidato quando Dilma era
desconhecida e Lula encerrou um ciclo?; e para quê, já que o povo não quer
perder espaço conquistado. O salário mínimo avançou muito, quando Lula assumiu
equivalia a 96 dólares e hoje a 312 dólares. O credito em proporção ao PIB era
13%, hoje é de 50%. Portanto, não podemos negando a Dilma, não afirmar o que
queremos colocar no lugar de positivo. Acho que nós devíamos sair do governo,
mesmo mantendo nosso apoio à presidente. Devíamos dar um exemplo de como se
comportar uma liderança política não fisiológica e clientelista.
Quem é dos mais ‘incompetentes’ que o
senhor chama? É o Guido Mantega (Fazenda)?
Quando Mantega
assumiu no lugar do Palocci, ele era o homem certo, na hora certa, momento de
boa situação econômica, cenário internacional bastante pacífico. Hoje não está
dando certo, o que tem se produzido no ministério da Fazenda (sou bom amigo
dele, fomos colegas de ministério) é ridículo em relação à qualificação da
crise. Essa renúncia fiscal sem explicação, fazendo favor com o dinheiro
público para lá e para cá, sem nenhuma explicação, com zero efeito; descasada
da política cambial; uma política fiscal que não se justifica, numa hora que o
país está despencando; sinalizar cortes de investimentos, mantendo o mesmo
padrão de gastos correntes, de desperdício que se anotam na administração
pública brasileira, não é a resposta.
O senhor seria candidato à presidente
nesse momento?
Já fui candidato
a presidente do Brasil duas vezes, me mantenho ativo, estudando. Mas não vou
brigar com ninguém. Se meu partido quisesse, o que é muito improvável, eu
toparia.
O que o senhor quis dizer quando chamou o
PSB de esquizofrênico?
Somos situação e
estamos calando o discurso de oposição. Isso em psicologia se chama
esquizofrenia, simples assim. Se me apresento candidato contra a Dilma, o
primeiro adversário que me vê no debate vai falar: ah, mas vocês não estavam
dentro do governo até ontem, passaram quatro anos acocorado, comendo migalhas
desse banquete fisiológico, clientelista e quando não corrupto entre PT e PMDB.CINTHIA GUIMARAES
palavras, o ex-ministro Ciro Gomes (PSB) não fugiu à regra nesta entrevista que
concedeu para A CRÍTICA durante passagem por Manaus ontem, ao palestrar no X
Encontro de Revendedores de Derivados de Petróleo e Lojas de Conveniência do
Norte do Brasil.
Ciro, que por
duas vezes foi ministro (Fazenda e Integração Nacional) do governo Lula, disse
que a presidente Dilma Rousseff é mal assessorada e que sua atual equipe
ministerial é “extremamente incompetente”, sendo responsável pela desastrosa
avaliação popular do governo. Confira trechos da entrevista a seguir.
Como o senhor vê as recentes manifestações
e a situação político-econômica do Brasil?
Estamos vivendo
isso, uma crise grave de representatividade, de legitimidade operacional das
instituições, praticamente todas as instituições centrais estão sob crítica.
Isso tudo é um perigo muito grande porque você não satisfaz a população e do
lado da oposição, há um vazio doído de ideias. As pessoas só atacam as
discussões, as contradições, mas não encantam para reformular, a não ser os
valores difusos, que só semeiam uma decepção talvez mais profunda e definitiva
num futuro. Um moralismo difuso como se a corrupção fosse trocar Chico por
Manoel. A gente sabe que não é.
O que o senhor pensa sobre a presidente
Dilma?
Uma boa
presidente, uma pessoa muito boa, muito séria, cercada de uma equipe
inacreditavelmente incompetente, incapaz de até sequer entender do que está
acontecendo. Ela está errando. A equipe de Dilma é de dar dó, de chorar. Em
conversas antigas, tive o privilegio de ser chamado para ser ministro e disse:
com essa equipe não é possível! E não que eu seja grandes coisas, é que a
equipe dela é inacreditavelmente incompetente, tem uma exceção aqui outra ali,
evidentemente. Colocar Ideli Salvatti para liderar a articulação polícia numa
situação como essa é quase insolúvel, como essa que ela entrou? Como Michel
Temer, vice-presidente, Renan Calheiros (Senado), Henrique Alves (Câmara),
Eduardo Cunha (líder do PMDB), se não morrer é porque não foi servido!
O que pensa sobre a pré-candidatura à
presidência, com Eduardo Campos?
Ele é dos
candidatos disparado o mais qualificado, mais experiente. Acho que essa
candidatura, para ser considerada uma alternativa, precisa responder, com
urgência, duas perguntas: por que o partido não teve candidato quando Dilma era
desconhecida e Lula encerrou um ciclo?; e para quê, já que o povo não quer
perder espaço conquistado. O salário mínimo avançou muito, quando Lula assumiu
equivalia a 96 dólares e hoje a 312 dólares. O credito em proporção ao PIB era
13%, hoje é de 50%. Portanto, não podemos negando a Dilma, não afirmar o que
queremos colocar no lugar de positivo. Acho que nós devíamos sair do governo,
mesmo mantendo nosso apoio à presidente. Devíamos dar um exemplo de como se
comportar uma liderança política não fisiológica e clientelista.
Quem é dos mais ‘incompetentes’ que o
senhor chama? É o Guido Mantega (Fazenda)?
Quando Mantega
assumiu no lugar do Palocci, ele era o homem certo, na hora certa, momento de
boa situação econômica, cenário internacional bastante pacífico. Hoje não está
dando certo, o que tem se produzido no ministério da Fazenda (sou bom amigo
dele, fomos colegas de ministério) é ridículo em relação à qualificação da
crise. Essa renúncia fiscal sem explicação, fazendo favor com o dinheiro
público para lá e para cá, sem nenhuma explicação, com zero efeito; descasada
da política cambial; uma política fiscal que não se justifica, numa hora que o
país está despencando; sinalizar cortes de investimentos, mantendo o mesmo
padrão de gastos correntes, de desperdício que se anotam na administração
pública brasileira, não é a resposta.
O senhor seria candidato à presidente
nesse momento?
Já fui candidato
a presidente do Brasil duas vezes, me mantenho ativo, estudando. Mas não vou
brigar com ninguém. Se meu partido quisesse, o que é muito improvável, eu
toparia.
O que o senhor quis dizer quando chamou o
PSB de esquizofrênico?
Somos situação e
estamos calando o discurso de oposição. Isso em psicologia se chama
esquizofrenia, simples assim. Se me apresento candidato contra a Dilma, o
primeiro adversário que me vê no debate vai falar: ah, mas vocês não estavam
dentro do governo até ontem, passaram quatro anos acocorado, comendo migalhas
desse banquete fisiológico, clientelista e quando não corrupto entre PT e PMDB.CINTHIA GUIMARAES
