A falta de currículo

Por:Arimateia Azevedo

Pela movimentação ontem, em Brasília, em torno das posses dos novos ministros, deu para perceber que a escolha do novo ministro da Saúde não estava na programação do Palácio do Planalto, ou seja, Dilma não teve sequer o direito de escolher. A escolha de Marcelo Castro, que se deu por eliminação dentro do seu partido, o PMDB, não levou em conta o seu currículo e tampouco a profissão porque, há de se convir, que o ofício de médico psiquiatra ele já não exerce há pelo menos 30 anos. Ademais, durante seu tempo de parlamentar, com cinco mandatos, ele jamais se envolveu com projetos voltados para o setor de saúde no seu Estado. Salvo, as liberações que conseguiu junto aos ministros do setor para o hospital Socorrão, em São Luís (MA), para pagar firma terceirizada de um irmão. Todos sabem que Castro especializou-se, de fato, em estradas, destinando as suas emendas – e as de companheiros – para o setor de transportes. Um veio formidável, tanto que o levou a manter no Dnit do Piauí o famoso Tião Sorriso, seu cunhado, por quase uma década. Logo, não é segredo que Dilma, refém das barganhas dos dirigentes do PMDB, teve que se curvar e se render à indicação. Basta ver que o próprio Marcelo Castro, ao ser perguntando sobre os projetos que tem para o setor, por uma jornalista de Brasília, terminou dizendo que na sua primeira conversa com a presidente, Dilma apenas lhe disse que fosse ‘tocando’ o Ministério. Marcelo, por sua vez, mostrando a sua distonia em relação à área de saúde, produziu o primeiro factoide: falou em reeditar um assunto vencido, a CPMF e, por seu desejo e vontade, que seja em dobro. Num país onde não existe um plano de Estado, não chega a assustar que a presidente tenha escolhido apenas um ministro que no Ministério da Saúde vai primeiro resolver os problemas dos seus aliados. Mas, o piauiense Marcelo C astro, de certa forma, deveria até ser reverenciado por ocupar um dos mais importantes ministérios do país sem ter qualquer compromisso com a saúde do pobre.

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