A guerra fria do PT pela vaga de vice do governador Rafael Fonteles em 2026

Fonteles não esconde sua preferência. A exoneração de Washington Bandeira da Secretaria de Educação, assinada em 26 de dezembro, teve menos de gesto administrativo e mais de movimento político. Ao entregar ao ex-secretário a coordenação dos seminários que vão orientar a construção do novo Plano de Governo do Palácio de Karnak, o governador o colocou no centro do projeto de reeleição. Dentro do PT, esse tipo de missão não é detalhe. É sinal. Bandeira, que já iniciou conversas internas com o presidente estadual da sigla, Fábio Novo, passou a ser tratado como o nome preferido de Rafael para a vaga de vice.

Foto: Reprodução/Redes SociasNalu Marques, irmã da deputada estadual Janaína Marques, deixou de lado o tom protocolar e entrou no terreno da política explícita

Ana Lúcia Marques, irmã da deputada estadual Janaína Marques, deixou de lado o tom formal e entrou no terreno da política explícita

Do outro lado, porém, está o grupo ligado ao ministro Wellington Dias, ex-governador e ainda principal cacique petista no estado. Ali, o nome defendido é o de Vinícius Dias, seu filho. Embora Rafael e Wellington insistam publicamente que não há qualquer desavença, o ministro tem feito questão de lembrar, sempre que questionado, que a escolha do vice não será decisão individual. No vocabulário do partido, o recado é direto: ninguém joga sozinho.

A virada do ano tratou de tirar a disputa do campo do subentendido. Em uma série de postagens nas redes sociais, Ana Lúcia Marques, irmã da deputada estadual Janainna Marques, deixou de lado o tom formal e entrou no terreno da política explícita. Em uma das publicações, apareceu ao lado de Wellington Dias e da conselheira Rejane Dias, exaltando o ex-governador como “o melhor governador que o Piauí já teve”. Logo depois, veio o gesto que acendeu o alerta no PT: Ana Lúcia surgiu ao lado de Janainna e de Vinícius Dias, acompanhando a imagem com a legenda “Nós e o nosso vice Gov…”.

Nos bastidores, a leitura foi imediata. A postagem foi interpretada como um recado direto aos planos de Rafael Fonteles, que trabalha para emplacar Washington Bandeira como vice em 2026. Mais do que um ato isolado, o episódio escancarou que o grupo ligado a Wellington Dias está disposto a expor divergências logo nos primeiros dias do ano.

Na prática, a escolha do vice está longe de ser apenas uma decisão estratégica. Trata-se de uma queda de braço dentro do próprio partido. De um lado, Rafael Fonteles tenta medir até onde vai sua força para impor um nome de confiança e construir sua própria hegemonia. Do outro, a sombra longa de Wellington Dias continua a pairar sobre o PT piauiense, testando se Vinícius manterá, pela via eleitoral, o espaço político acumulado pelo pai ao longo de décadas. (Caroline Vitorino/Gp1)

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