A RACIONALIDADE PEDE PASSAGEM

Por:Reginaldo Costa

O parnaibano Valdeci Cavalcante, inabilitado pelo TCU para o cargo que ocupa à frente da Federação do Comércio no Estado do Piauí (Fecomércio), em golpe de mestre, homenageará (com nome em Centro Cultural a ser inaugurado no prédio onde funcionou o Colégio União Caixeiral), o conterrâneo Reis Velloso, que esteve por 10 anos, como mandachuva no estratégico Ministério do Planejamento, no período da ditadura militar, mas que não assumiu o compromisso de tirar a terra natal do atoleiro econômico, muito menos carrear recursos para a construção definitiva do Porto de Luis Correia.

Como santo de casa não faz milagre, o ex-presidente José Sarney, apesar dos vícios da política entranhados na alma, foi quem enxergou a grandeza da cidade de Parnaíba no cenário regional e destinou investimentos para a implantação do DITALPI – Distrito de Irrigação Taboleiros Litorâneos. Através da agricultura irrigada, a micro-região encontrará sua redenção, dependendo da conscientização das autoridades e do conjunto da sociedade. 

Diante da divulgação do projeto da FECOMÉRCIO, lembro a luta titânica de Ednólia Fontenele, Airton Saraiva de Menezes e Sólima Genuína dos Santos para colocar em funcionamento a Biblioteca da Fundação Cultural Assis Brasil, em modesto vagão de trem doado pela RFFSA, transportado a duras penas para o terreno da ACEP, nos fundos do Cemitério da Igualdade. Embora a idéia tenha sido fascinante, não apareceram parcerias. 
Sabemos que no capitalismo o que manda é o dinheiro. E quem detém o poder para definir a destinação de recursos, inclusive com o dinheiro alheio, no Brasil, tem seu valor, em muitos casos, prevalecem iniciativas distantes anos luzes da participação do povo nas prioridades da nação, estados e municípios. De igual modo, funcionam entidades como SESC, SESI e similares. 

Sem entrar no mérito da questão sobre a relevância da obra, perguntaria para que acumular gratidão se o Campus Reis Veloso homenageia, à altura, o ex-ministro, quando é amplo o leque de ilustres personalidades que poderiam ser lembradas? Para não alongar a conversa, citarei apenas alguns nomes: o próprio professor Gilberto Escórcio, guerreiro incansável de árduas batalhas, quando não, milagreiro que fez daquela escola referência nacional. Além de ser humano querido, seria o reconhecimento do homem discreto e professor dedicado. Nesse caso, o presidente da Fecomércio, estaria agindo coerente com a História; Francisco de Assis Almeida Brasil, autor de obras literárias traduzidas para outros idiomas; Renato Pires Castello Branco, considerado um dos baluartes da publicidade brasileira; Humberto de Campos, embora não seja parnaibano, plantou na terra de Simplício Dias, sementes que germinaram na literatura. No país do espiritismo, um dos ramos da ciência humana experimental, Humberto de Campos é referencia de grande envergadura, cuja vinculação a Parnaíba poderia tornar a cidade centro de estudos, pesquisa e visitação. 

Por uma questão de bom senso, o ex-ministro deveria declinar da escolha, ou que ela seja discutida democraticamente, já que diz respeito à vida cultural da cidade. A contestação se deve a falta de socialização de ideias na cidade em que o puxa-saquismo prevalece como prática habitual a alimentar vaidades.

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