Agespisa é uma torneira aberta, derramando água dia e noite

Por Zózimo Tavares
A Agespisa é uma torneira aberta, derramando água dia e noite sem parar. Pelo menos é o que se deduz da explanação feita ontem na Assembleia Legislativa pelo presidente da empresa, Antônio Filho. Ele disse que a dívida da companhia supera R$ 1 bilhão. A empresa está com todos os seus prédios, inclusive seu edifício-sede, penhorados pela Justiça para pagar débitos.
A arrecadação da Agespisa não dá para cobrir as despesas. Todo mês, o Governo do Estado injeta em torno de R$ 6 milhões para completar a receita da companhia, que há anos não consegue uma certidão negativa de débito junto aos órgãos federais. Tanta dificuldade financeira compromete a qualidade de seus serviços. A Agespisa ocupa a 24ª posição no ranking nacional das empresas do setor.
“Água, em Teresina, tem limite. O serviço de abastecimento de água não é continuo. A ETA (Estação de Tratamento de Água) está defasada, tecnologicamente e em termos de qualidade. A Agespisa, sozinha, é incapaz de fazer o que deve ser feito. Está a olhos vistos. A população já sabe disso. Basta abrir as torneiras e não ter água; olhar os esgotos a céu aberto que fazem parte da paisagem de Teresina. É hora de resolver. A população sofre”, enfatizou.
Ele disse ainda que a atual gestão vem primando pelo controle dos gastos e pela transparência. E, em meio a vaias de servidores e sindicalistas, reclamou que eles são os primeiros a contribuir para levar a empresa para o buraco, pois ganham bons salários e ficam querendo tirar mais de onde não tem.
Em sua explanação, o presidente da Agespisa sustentou que a saída da empresa é adotar a subdelegação de seus serviços. Ele destacou que todos os dados e propostas que foram apresentados durante a explanação foram frutos de avaliações técnicas e de decisões “apolíticas”, fundamentadas nos estudos das Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).
Os parlamentares criticaram a subdelegação, por reconhecê-la como uma privatização disfarçada. Mas não apresentaram outra alternativa. Também criticaram os contratos feitos pela empresa. O presidente da Agespisa afirmou que “a dívida acumulada ao longo de décadas, quando a empresa serviu de instrumento político-eleitoral, é impagável, mas ainda solucionável, não por saída política, mas de gestão”.
E ficou nisso. Os parlamentares e demais interessados em sua explanação saíram da Assembleia sem saber quem levou a empresa para o buraco, pois o presidente, apesar de sua formação de controlador, não deu pistas nesse sentido.

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