Carta na manga de Wellington pode virar o jogo na chapa de Rafael e reabrir 2030

O ministro Wellington Dias deve desembarcar no Piauí trazendo uma carta colocada diretamente pelo PT nacional que pode alterar de forma decisiva o desenho da chapa majoritária da reeleição do governador Rafael Fonteles. A movimentação ocorre após a filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD, episódio que afastou o partido de Gilberto Kassab de qualquer projeto nacional de apoio à reeleição do presidente Lula. Em Brasília, a avaliação é objetiva: o PT precisa eleger senadores próprios.

No Piauí, apesar de a base governista contar hoje com duas cadeiras no Senado, apenas uma é formalmente petista. Marcelo Castro, embora aliado histórico, é do MDB, o que faz o comando nacional pressionar por uma candidatura própria do PT ao Senado em 2026. A proposta que Wellington deve apresentar passa por uma troca estratégica. O PT abriria mão da vaga de vice na chapa de Rafael para acomodar o PSD, com o deputado federal Júlio César, enquanto garantiria uma candidatura petista ao Senado, com um nome ligado ao grupo do governador, como Washington Bandeira. O arranjo tem impacto direto sobre 2030.

O principal fator que hoje inviabiliza politicamente Wellington Dias ao fim de seu mandato no Senado é a permanência de um “Rafa boy” na vice, alguém da linhagem direta de Rafael Fonteles, capaz de manter o controle do Palácio e fechar espaço para qualquer retorno do ex-governador. Com Júlio César na vice, esse bloqueio deixa de existir. Nesse novo cenário, Wellington volta ao centro do tabuleiro. Abre-se espaço tanto para uma eventual disputa pelo governo do Estado quanto para uma reeleição ao Senado, a depender dos movimentos futuros de Rafael Fonteles. A carta, portanto, não mira apenas 2026, mas reorganiza o jogo de poder no Piauí para além de 2030.(Silas Freire)

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