Ciro Nogueira é suspeito de ser o cabeça da “bancada do Master”

Enquanto o Banco Central aprofundava a fiscalização sobre operações do Banco Master e a Polícia Federal avançava em inquéritos que miram a atuação do banqueiro Daniel Vorcaro, movimentos no Congresso passaram a ser interpretados por parlamentares e integrantes do mercado como tentativas de reduzir o alcance institucional das apurações. Nos corredores de Brasília, esse conjunto de iniciativas ganhou o rótulo informal de “bancada do Master”, em referência à sincronia entre ofensivas legislativas e o avanço das investigações.

Foto: Agência SenadoCiro Nogueira chamava Dilma de mãe. Atentem bem!

Ciro Nogueira 

A leitura de bastidores é que, em momentos decisivos para o desfecho do caso, surgiram propostas e manobras regimentais capazes de afetar diretamente o ambiente de controle sobre o sistema financeiro e, por consequência, o curso das apurações. O Banco Master acabou liquidado após fracassar a negociação de venda ao Banco de Brasília (BRB), mas o rastro político do episódio segue em disputa.

Em 2024, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou emenda a uma proposta de emenda à Constituição que tratava da autonomia financeira do Banco Central, sugerindo elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o teto de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). À época, críticos apontaram que a mudança ampliaria o colchão de proteção para bancos médios fortemente dependentes de captação com papéis lastreados no FGC, perfil associado ao modelo de negócios do Master.

O próprio Vorcaro afirmou em depoimento à PF que a estratégia da instituição era ancorada nesse mecanismo de garantia. Após a liquidação do grupo Master, os desembolsos potenciais do FGC para cobrir perdas de depositantes e investidores passaram a ser estimados em dezenas de bilhões de reais, pressionando a liquidez do fundo.

Ciro Nogueira negou que a emenda tivesse relação com o banco específico e o relator da PEC rejeitou a alteração. Ainda assim, parlamentares passaram a citar o episódio como exemplo de como propostas com impacto sistêmico surgiram no momento em que o Master estava sob escrutínio. O senador também foi visto em eventos patrocinados pelo banco e em discussões sobre a tentativa de venda ao BRB, mas não comentou o tema publicamente.

No ano passado, às vésperas de o Banco Central barrar a operação envolvendo o BRB, um requerimento de urgência impulsionou projeto que permitiria ao Congresso destituir o presidente e diretores da autoridade monetária. A articulação partiu de deputado aliado de Ciro Nogueira e reuniu apoio de lideranças do Centrão.

Economistas e ex-dirigentes do BC reagiram, avaliando que a movimentação soava como recado político num momento sensível, em que a autarquia conduzia apurações sobre o Master. Diante da repercussão negativa, uma das autoras do texto original pediu a retirada da proposta da pauta.

Para analistas de risco institucional, o problema não é a existência de projetos em abstrato, mas a coincidência temporal entre iniciativas que afetam órgãos de controle e investigações em curso.

Não se sabe quais os senadores e deputados federais citados noa relatórios da PF, mas o nome de Ciro é o mais provável, segundo jornalistas.

O senador piauiense acaba de divulgar nota em defesa do ministro Toffoli, do STF, cujo nome aparece em falas com Vorcaro.

Fonte: Portal AZ

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