CPI dos sertanejos: milícia artística de Bolsonaro tem de ser investigada

Bolsonaro e cantores sertanejos

Por Kiko Nogueira, jornalista, no DCM 

Os sertanejos se tornaram a milícia artística do bolsonarismo.

Um gênero musical transformado em veio do que há de pior no país. Cachês milionários desviados de saúde e educação para oportunistas se fingirem de inimigos da Lei Rouanet.

Gusttavo Lima alega que não lhe cabe “fiscalizar” o dinheiro público. Precisa avisar seu amigo Zé Neto, bedel de tatuagem no “toba alheio”.

O “embaixador” Gusttavo — ele chegou a registrar o título no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) — iria se apresentar numa cidade mineira de 17 mil habitantes por R$ 1,2 milhão.

O show foi cancelado após esse absurdo virar notícia. O gasto média com educação em Conceição do Mato Dentro é de R$ 1,1 milhão por mês.

Tratamento de Michael Jackson: a prefeitura cederia um veículo executivo blindado e quatro vans, uma dela executiva. O contrato previa arcar com a hospedagem da equipe “no melhor hotel da região”, além de diária de alimentação no valor de R$ 4 mil para técnicos e banda.

Esse negócio serve para propaganda de Bolsonaro e de seu ideário — a “família”, a “vida simples” na roça, os “valores tradicionais”, o machismo, as armas, o anticomunismo etc. 

Por quê? Porque pagam e mercenários funcionam assim. Muita grana sem licitação de pequenos municípios servindo para financiar um bando barra pesada. 

E dá-lhe porrada em Anitta, fenômeno pop, sucesso internacional, inimiga de bolsonaristas por ser o que mais temem e odeiam: uma mulher com voz e ideias próprias, rica e independente. 

Uma CPI pode jogar luzes no esquema dessa turma. Vai se chegar a um orçamento secreto embalado em canções de corno entoadas para otários fantasiados de caubóis, em shows pagos por quem não tem nada com isso. Tudo em nome de Deus, pátria, família e liberdade.

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