DEMOCRACIA

Por:
Benedito Gomes(*)
Na Grécia antiga esta palavra já era usada como
forma de governo, onde todo cidadão participava na mesma igualdade de
condições. No Brasil ela deve ter funcionado plenamente até 1.500, pois daí em
diante, com a invasão portuguesa, nossos indígenas perderam o que tinham de
melhor – a liberdade. De lá para cá a democracia tem sofrido diversos golpes,
civis e militares.
Getúlio Vargas deu um golpe nele mesmo. Nos 50 anos
houve uma pequena pausa, aí chega 64 e vem o golpe militar, a ditadura se
instala por mais 20 anos. Aí entrei de cabeça na defesa da democracia. Como
dizia Padre Cícero, “eu nunca concordarei com o erro” e eu achava que a
ditadura era um erro.
Em 1977, com a extinção dos partidos políticos e com
a criação do bipartidarismo surgiu então a ARENA (Aliança Renovadora Nacional)
e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro). A Arena era o partido do governo,
para onde correram milhares de políticos, aqueles que vão para onde está o
dinheiro, os que visam somente o interesse pessoal, esquecendo o interesse da
população.
No MDB ficaram aqueles que não concordavam com o que
estava acontecendo no Brasil. Em 1974 ou 1975, o Sr. Elias Ximenes do Prado,
prefeito de Parnaíba, num dia de segunda feira convidou aproximadamente 50
amigos para no sábado irmos ao aeroporto receber o grande líder nacional do MDB, Ulysses Guimarães. Iríamos ao aeroporto às 17 horas e à noite seria realizada
uma reunião no Cine Éden, na Praça da Graça.
Na quinta feira Elias Ximenes andava atrás dos
amigos para avisar que a reunião não seria mais realizada no Éden. Se fosse
realizada seríamos presos. Ficou então decidido que faríamos um jantar na
praia, em um restaurante recém inaugurado pelo governador Alberto Silva. O
local era conhecido como “Motel Atalaia”. Dos 50 convidados não compareceram
nem 20, todos com medo  “dos homem” de
Parnaíba.
Marcaram presença, dentre outros,  Elias Ximenes, Reinaldo Santos, Benedito Gomes, Custódio Amorim,
Fonseca Mendes, João Oliveira, José Alexandre e outros de Teresina como: João
Mendes Nepomuceno, Celso Barros, Bruno dos Santos, Nogueira Filho, Josipio
Lustosa e Manoel Veloso. Quase todos com suas esposas. Naquela noite
conversamos muito a respeito do que estava acontecendo: prisões, estudantes
proibidos de frequentar aulas, torturas, censura à imprensa, etc.
Ulysses Guimarães era um homem culto, muito educado,
fez um belo discurso naquela noite. Mas embora fosse um jantar entre amigos,
por duas vezes uma Veraneio da PM, conhecida por “Camburão” (hoje viatura)
passou em frente ao restaurante, bem devagarzinho.
Tratamos de assuntos diversos, em especial, como
combater a ditadura sem derramar sangue, mas com ideias, com atos e com
respeito. 
Posso dizer onde eu estava e com quem estava há 40 anos atrás.
Continuo com as mesmas ideias. Se você acha que fiz muito ou alguma coisa pela
volta da democracia, não, não fiz. Apenas ajudei.
(*)Benedito Gomes-
 Contador(UFPI)

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