Deputado Fábio Xavier – ex- presidente do PL- torrou dinheiro do partido comprando um carro que sumiu

O deputado estadual Fábio Xavier conseguiu, nesta segunda-feira (25), coisa que poucos piauienses conseguem: virar manchete nacional. Infelizmente pelo pior motivo: escândalo com verbas públicas. De acordo com um levantamento de O Globo (replicado em dezenas de sites nacionais como O Antagonista e Revista Fórum), no ano de 2021, enquanto o parlamentar era presidente estadual do PL, utilizou dinheiro do fundo partidário para pagar contas em empresa de sua esposa e até para comprar um carro que, neste momento, encontra-se desaparecido.

A cara nem mexe: Fábio Xavier torrou centenas de milhares de reais do fundo partidário com contas bastante suspeitas em 2021, segundo apurou O Globo (foto: Jailson Soares | PD)A cara nem mexe: Fábio Xavier torrou centenas de milhares de reais do fundo partidário com contas bastante suspeitas em 2021, segundo apurou O Globo (foto: Jailson Soares | PD)

Hoje filiado ao PT, o parlamentar disse à reportagem de O Globo que os gastos foram autorizados pelo departamento jurídico do partido, mas não deu detalhes sobre nada. Já a atual presidente do partido de Jair Bolsonaro no Piauí, Samantha Cavalca, alega que ao receber o partido, não havia informação alguma sobre nenhum veículo.

VAI TER QUE DEVOLVER

De acordo com Samantha Cavalca, “se ficar comprovado que Fábio Xavier comprou um carro com dinheiro do fundo partidário, o PL do Piauí vai querer esse carro”.

O Política Dinâmica conseguiu apurar que o carro é um Fiat Toro 2021/2022, automática, tração 4×4, à diesel, comprada em 23 de julho de 2021 por R$ 179.861,67. Consta na nota fiscal que o carro foi adquirido numa concessionária na cidade de Floriano e pela compra, o PL de Fábio Xavier ganhou o tanque cheio de brinde.

Nota fiscal do carro desaparecido.Nota fiscal do carro desaparecido.

Mas é ilegal um partido comprar um carro? Em tese, não. O curioso é que segundo uma fonte do Política Dinâmica, seis meses depois, em 11 de fevereiro de 2022, tentaram vender o carro. Calma, tem mais: a casa do suposto comprador, localizada numa rua humilde da Zona Sul de Teresina, não existe garagem. A transação só não foi concretizada porque havia, ainda, uma pendência junto a concessionária.

Isso foi uma semana antes do comando do partido ser repassado para Samantha e, a essa altura, Fábio Xavier já sabia que não ficaria mais no PL.

O LUGAR DELE NÃO ERA AQUI

O Política Dinâmica conseguiu conversar com Samantha Cavalca, que cumpre agenda política no Rio de Janeiro após ter participado da convenção do PL que homologou o nome de Jair Bolsonaro como candidato à reeleição. Segundo ela, “vendo toda a bagunça que estamos vendo, o lugar do Fábio [Xavier] não era aqui mesmo. Nesse partido, desde que chegamos, não cabe esse tipo de coisa. Ele tem que ficar é lá no PT mesmo! Mas vai ter que dar conta do que fez de errado por aqui se for comprovado que os gastos foram indevidos. Não devo favor a ninguém, não faço favor a ninguém e comigo o dinheiro tem que estar no lugar certo e ser usado do jeito certo”, ressaltou.

Nova presidente do PL diz que não tinha conhecimento de veículo adquirido pela gestão de Fábio e que irregularidades serão levadas à Justiça (foto: Jailson Soares | PD)Nova presidente do PL diz que não tinha conhecimento de veículo adquirido pela gestão de Fábio e que irregularidades serão levadas à Justiça (foto: Jailson Soares | PD)

Segundo o levantamento de O Globo, a maior parte desse R$ 1,6 milhão recebidos pelo PL do Piauí foi gasto pelo PL Mulher, o braço da sigla que deve promover a participação feminina na política. O objeto do gasto: um curso virtual que custou R$ 606 mil reais. Detalhe: o site do curso está fora do ar.

O Política Dinâmica tentou contato com o deputado Fábio Xavier, mas não conseguiu localizá-lo. O espaço para que o parlamentar dê suas explicações continua aberto.

Mas se existir alguma seriedade na Justiça Eleitoral e vergonha na cara de eleitor, se essa história ficar sem explicação, o deputado deveria ficar sem mandato. (Marcos Melo/Política Dinâmica)

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