No Piauí, a política institucional parece cada vez mais um clube fechado de bajulação, troca de afagos e autopremiação entre quem vive do dinheiro público.
O governador Wellington Dias foi eleito “imortal” da Academia Piauiense de Letras. Um detalhe nada irrelevante: antes disso, destinou R$ 300 mil em recursos públicos à própria Academia. Coincidência? No mínimo constrangedor.

O mesmo roteiro se repete quando o Detran-PI recebe “Prêmio de Eficiência”. Para quem enfrenta filas intermináveis, atrasos frequentes na entrega de documentos e um atendimento amplamente criticado pela população, o título soa como piada de mau gosto — daquelas que só fazem rir quem está dentro do sistema.
Para completar o espetáculo, a UESPI, universidade que sofre com prédios deteriorados, estrutura precária e abandono histórico, resolve conceder título de Doutor Honoris Causa ao presidente Lula. Enquanto salas caem aos pedaços, a prioridade parece ser homenagear figuras políticas, não investir em ensino, pesquisa e dignidade acadêmica.
O recado é claro: não se trata de educação, eficiência ou mérito. Trata-se de politicagem nojenta, de um sistema que prefere se aplaudir em cerimônias elegantes enquanto os serviços públicos entregues à população seguem falhando no básico. (Fonte: O Piauiense)