Por:Zózimo Tavares
O governador eleito Wellington Dias e o governador Zé Filho sinalizaram, há alguns dias, que o Piauí teria uma transição administrativa pacífica. Não é isso o que está ocorrendo. Diariamente, os líderes do futuro governo têm disparado críticas e denúncias contra o atual. Para acirrar ainda mais os ânimos, ontem o deputado Merlong Solano (PT) propôs intervenção federal no Estado.
O pedido do petista foi apresentado na Assembleia Legislativa sob a alegação de descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).O requerimento do parlamentar, que é membro da comissão de transição do novo governo, cita despesas que teriam sido realizadas de forma irregular pelo Governo do Piauí, como a contratação de servidores após atingido o limite da LRF.
O deputado Robert Rios (PCdoB) esclareceu que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) já teria reconhecido as contratações de concursados como legais e acreditou haver uma confusão de informações no requerimento. Ele criticou o pedido do petista e sentenciou: “A intervenção é a primeira porta que se abre para a corrupção.”
O secretário de Administração, João Henrique Sousa, negou que o Governo do Piauí esteja quebrado e classificou como inconstitucional o requerimento do deputado Merlong Solano. “Para você fazer uma intervenção no Estado é preciso que haja uma situação caótica, uma desordem pública, porque desordem financeira não tem. Eu acho que é muito barulho. Precisamos todos ter muita calma, muita tranquilidade. É uma situação de transição de governo”, apelou o secretário.
João Henrique lembrou que o governo federal também passa por apertos para fechar as contas neste final de ano. “Imagine o Piauí! A diferença é que o Governo Federal lança mão de dinheiro no mercado e o Piauí não tem de onde tirar. Mas vamos entregar o Estado com as finanças organizadas e a casa em ordem”, garante o secretário.
Ele disse que, desde que assumiu, o governador Zé Filho vem lutando para cumprir a LRF. “Ele já deu uma freada lá atrás, cortando gastos. Sem aquelas providências, em abril, o Piauí estaria hoje com 55% ou mais de comprometimento de suas receitas com a folha de pessoal. O Estado da Paraíba chegou a 58%. Nós estamos com 50%, quando deveríamos estar com 49%. Mas isso não é motivo para alarme”.
O PT fala do que conhece. O governador Wellington Dias iniciou o seu segundo mandato, em 2007, com o Estado quebrado. E entregou o governo ao seu sucessor, em 2010, também numa situação de calamidade, em termos administrativos e financeiros.
